
Prof. Dr. Luiz Antonio de Almeida Pinto, referência nacional em pesquisa e inovação ambiental, será homenageado no dia 22 de outubro, em reconhecimento à trajetória dedicada à ciência, à formação de profissionais e à valorização de resíduos.
O conhecimento científico a serviço do meio ambiente. Essa é uma das marcas da trajetória do professor doutor Luiz Antonio de Almeida Pinto, conhecido na comunidade acadêmica como Prof. Pinto, que está entre os homenageados da primeira edição do Troféu Página Verde, promovido pelo Agora News RG, em parceria com a coluna Página Verde, coordenada pela engenheira Sylvia Lempek. A cerimônia de premiação será realizada no dia 22 de outubro de 2026.

Professor titular da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o Prof. Pinto construiu uma carreira de mais de cinco décadas vinculada à instituição, onde atuou como estudante, docente, pesquisador e gestor acadêmico. Atualmente, é diretor da Escola de Química e Alimentos (EQA), função que exerce no período de 2025 a 2028.
Sua escolha para o Troféu Página Verde destaca uma contribuição que une pesquisa, inovação e compromisso ambiental: o desenvolvimento de alternativas para transformar resíduos agroindustriais e pesqueiros em matérias-primas e produtos de maior valor agregado, reduzindo o descarte inadequado e ampliando as possibilidades de reaproveitamento.
Ciência que transforma resíduos em oportunidades
Graduado em Engenharia Industrial-Química pela FURG, em 1977, o professor concluiu mestrado, em 1992, e doutorado, em 1996, em Engenharia Química pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ao longo da carreira, consolidou sua atuação nas áreas de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos, com pesquisas voltadas a processos industriais, secagem de alimentos, adsorção, tratamento de efluentes e aproveitamento de resíduos.
Uma das principais frentes de seu trabalho é encontrar soluções para materiais que frequentemente seriam descartados pela agroindústria e pela atividade pesqueira. Entre eles estão palha de arroz, resíduos de soja, bagaços de milho, uva e azeitona, caroços de pêssego, cascas de camarão, carapaças de caranguejos e siris, além de cabeças, vísceras e ossos de pescados.
A partir desses materiais, os estudos desenvolvidos pelo pesquisador e sua equipe possibilitam a obtenção de compostos como quitina e quitosana, utilizados na produção de pós, filmes, esponjas e hidrogéis. Esses materiais também podem ser combinados com outros componentes para desenvolver estruturas com diferentes aplicações tecnológicas.
Entre os resultados mais relevantes está o uso de materiais à base de quitina e quitosana como biossorventes no tratamento de efluentes. Essas soluções podem contribuir para a remoção de metais, corantes orgânicos e determinadas substâncias químicas contaminantes, incluindo agrotóxicos.
O trabalho representa uma importante contribuição para a economia circular, ao buscar alternativas para reduzir impactos ambientais e transformar materiais descartados em recursos úteis para novos processos produtivos.
Pesquisa de alcance nacional e formação de profissionais

O reconhecimento do Prof. Pinto também está relacionado à dimensão de sua produção científica e à formação de pesquisadores. Ao longo da carreira, publicou mais de 240 artigos em periódicos científicos, em sua maioria internacionais, e depositou 27 patentes, das quais seis já foram concedidas.
Bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na categoria nível A, o docente mantém uma atuação voltada à produção de conhecimento e ao desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação no setor produtivo.
Atualmente, orienta e coorienta estudantes de mestrado e doutorado em três programas de pós-graduação, além de supervisionar uma pesquisadora de pós-doutorado. Sua trajetória inclui a orientação e coorientação de 43 doutores e 72 mestres, além da formação de centenas de profissionais nas áreas de Engenharia Química, Engenharia de Alimentos, Bioquímica e Química.
O trabalho coletivo é uma das características de sua atuação. Em seus três laboratórios, o professor desenvolve pesquisas em parceria com outros docentes e reúne uma equipe com mais de 50 integrantes, entre estudantes de graduação e pós-graduação.
Ao falar sobre sua relação com a comunidade acadêmica da Escola de Química e Alimentos, o professor costuma destacar, com bom humor, os vínculos construídos ao longo das décadas. Como muitos dos atuais docentes e técnicos da unidade foram seus alunos, ele brinca que já se sente um “paizão” de todos.
Contribuição para a pós-graduação da FURG
Além da pesquisa, o Prof. Pinto teve participação importante na estruturação e no fortalecimento da pós-graduação na universidade.
Em 1996, fundou o programa de pós-graduação em Engenharia de Alimentos, que passou a se chamar Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência de Alimentos (PPG-ECA), em 2003. O programa alcançou conceito 7 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), classificação que representa excelência internacional.
Em 2006, também participou da criação do Programa de Pós-Graduação em Química Tecnológica e Ambiental (PPG-QTA), que integra tecnologia e questões ambientais. Mais recentemente, em 2017, passou a atuar também no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química (PPG-EQ).
Sua atuação inclui ainda participação em conselhos universitários, comitês de assessoramento científico e corpos editoriais de periódicos internacionais, ampliando sua contribuição para a pesquisa e o desenvolvimento científico.
Reconhecimento pela trajetória
O trabalho do professor recebeu importantes distinções. Em 2025, conquistou o Prêmio O Futuro da Terra, na categoria Preservação Ambiental, concedido pelo Jornal do Comércio e pela FAPERGS. No mesmo ano, recebeu o Mérito Universitário da FURG.
Entre outros reconhecimentos, estão o Prêmio Pesquisador Gaúcho, concedido pela FAPERGS em 2020, na categoria Pesquisador Destaque em Engenharias, e a homenagem recebida da turma de Engenharia de Alimentos da FURG em 2024.
Essas distinções refletem uma trajetória que reúne produção científica, inovação tecnológica, formação de profissionais e busca por soluções para desafios ambientais e industriais.
Troféu Página Verde valoriza quem faz a diferença
A homenagem ao Prof. Dr. Luiz Antonio de Almeida Pinto integra a proposta do Troféu Página Verde de reconhecer pessoas e organizações que contribuem para a preservação ambiental, a sustentabilidade, a reciclagem, a gestão de resíduos, a proteção dos recursos hídricos e a construção de alternativas para os desafios ambientais contemporâneos.
Ao destacar o trabalho do pesquisador, a premiação também valoriza a importância da universidade pública, da ciência e da inovação para o desenvolvimento regional.
Em uma cidade como Rio Grande, cuja identidade econômica e cultural está fortemente ligada à atividade portuária, à pesca e à indústria, pesquisas que buscam soluções para o reaproveitamento de resíduos têm especial relevância.
O Troféu Página Verde será entregue no dia 22 de outubro de 2026, em uma noite dedicada ao reconhecimento de iniciativas e trajetórias que demonstram, na prática, que o desenvolvimento e a responsabilidade ambiental podem caminhar juntos.
