Encontro reuniu atletas, dirigentes, entidades e autoridades para discutir financiamento, estrutura esportiva e planejamento de longo prazo para o setor
O esporte rio-grandino deu um passo importante na discussão de políticas públicas com a realização da primeira Conferência Municipal do Esporte e Lazer. O encontro reuniu atletas, dirigentes, representantes de associações, projetos esportivos e autoridades no auditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), com o objetivo de discutir alternativas para fortalecer as modalidades esportivas e ampliar o acesso da população às atividades.
Promovida pela Prefeitura do Rio Grande, por meio da Secretaria de Município de Esporte e Lazer (SMEL), a conferência teve como tema “As políticas públicas do esporte e lazer no Rio Grande do Sul: desafios, perspectivas e integração com os municípios”. Entre os principais assuntos esteve a organização dos mecanismos legais necessários para que os municípios possam acessar recursos estaduais destinados ao esporte.
Três instrumentos podem abrir caminho para novos investimentos
Um dos destaques da programação foi a apresentação do chamado CPF do Esporte, formado pelo Plano Municipal do Esporte, pelo Fundo Municipal do Esporte e pelo Conselho Municipal do Esporte.
A diretora administrativa da Secretaria Estadual do Esporte e Lazer, Carla Preto, explicou que os três instrumentos são fundamentais para habilitar os municípios a receber recursos. Segundo ela, o prazo para participar da distribuição de verbas prevista para 2027 termina em 13 de dezembro de 2026. Municípios que concluírem a habilitação depois dessa data poderão ter acesso aos repasses somente a partir de 2028.
Cada instrumento desempenha uma função específica: o plano estabelece as diretrizes para o desenvolvimento esportivo, o fundo organiza os recursos financeiros e o conselho acompanha e fiscaliza as ações. A estrutura também contribui para dar continuidade às políticas públicas, evitando que projetos e prioridades sejam interrompidos a cada mudança de governo.
Durante a apresentação, Carla também destacou a necessidade de preparar melhor as entidades esportivas para aproveitar os editais de financiamento disponíveis. Programas estaduais, como o Segue o Jogo e o Legado Esportivo, representam oportunidades para organizações que desenvolvem atividades na área.
No caso do Legado Esportivo, entidades sem fins lucrativos voltadas à iniciação esportiva podem concorrer a recursos de até R$ 150 mil por ano para a execução de projetos, incluindo despesas com profissionais e espaços destinados às atividades.
Rio Grande busca organizar e fortalecer o setor
O secretário municipal de Esporte e Lazer, Mano Estabel, avaliou a conferência como um marco para o esporte local e defendeu uma gestão aberta ao diálogo com atletas, dirigentes e organizações.
Conforme informado pelo secretário, Rio Grande já possui o Conselho Municipal do Esporte e o Fundo Municipal do Esporte, mas ambos precisam ser reativados. Paralelamente, o município trabalha na conclusão do Plano Municipal do Esporte.
A organização desses mecanismos, aliada ao levantamento dos espaços disponíveis e das iniciativas em andamento, deverá ajudar a identificar carências e estabelecer prioridades para futuras ações.
A diversidade esportiva do município também esteve em pauta. Entre as modalidades mencionadas pelos participantes estavam futebol, futsal, basquete, corrida de rua, vôlei, fisiculturismo, muay thai, judô, jiu-jítsu, canoagem, capoeira, ginástica, vela, veloterra, skate e câmbio — modalidade adaptada de voleibol voltada às pessoas idosas.
O levantamento evidencia a variedade de práticas presentes na cidade e reforça a importância de considerar diferentes públicos, modalidades e regiões na elaboração de políticas para o setor.
Estado quer ampliar número de municípios habilitados
O secretário estadual do Esporte e Lazer em exercício, Carlos Júnior, destacou a mobilização do governo estadual para orientar as administrações municipais na implantação dos instrumentos legais.
Segundo os números apresentados durante a conferência, naquele momento, entre 20 e 30 dos 497 municípios gaúchos estavam habilitados para receber os recursos. A meta anunciada é alcançar pelo menos 50 municípios aptos no primeiro ano de implementação.
O vereador Glauber Nunes também destacou o caráter inédito do encontro e a relevância do debate para o planejamento do esporte municipal.
Experiência esportiva e participação regional
A programação contou ainda com a presença do ex-jogador do Internacional Valdir Lima, de 73 anos, campeão brasileiro invicto pelo clube em 1979 e atualmente envolvido em projetos sociais esportivos em Rio Grande.
Ele defendeu investimentos que contemplem diferentes modalidades e regiões do município, ressaltando o papel do esporte na formação de crianças e jovens.
A integração regional também esteve representada pela participação do secretário de Esporte de Pelotas, Paulo Lobo, e da secretária municipal de Esporte de São José do Norte, Daiane Gautério.
A primeira Conferência Municipal do Esporte e Lazer abriu espaço para aproximar o poder público de quem atua diretamente nas quadras, campos, projetos sociais e demais espaços esportivos. O desafio, a partir das discussões, será transformar as propostas em planejamento, estrutura e oportunidades concretas para atletas, entidades e para a comunidade rio-grandina.
