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Professora Vanusa destaca impacto da nova PrEP injetável contra o HIV: avanço histórico pode chegar ao Brasil nos próximos anos

* Vanusa Pousada da Hora: professora da FAMED e coordenadora do nucleo de pesquisa em Virologia e Imunologia

Um marco na luta global contra o HIV acaba de ser anunciado nos Estados Unidos: a aprovação da primeira PrEP (profilaxia pré-exposição) injetável de longa duração, o lenacapavir, comercializado como Yeztugo. O medicamento, desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences, será administrado apenas duas vezes por ano e apresenta uma eficácia de quase 100% na prevenção da infecção.
Nos Estados Unidos, o lenacapavir foi aprovado pela FDA (Food and Drug Administration) para uso em pessoas não infectadas pelo HIV como forma de prevenção. Os resultados de dois grandes estudos clínicos impressionam: no Purpose-1, com mais de 2 mil mulheres cisgênero no sul da África, nenhuma participante contraiu o vírus. No Purpose-2, que envolveu diversas populações em risco, foram apenas dois casos de infecção entre 2.179 participantes — uma taxa de eficácia de 99,9%.
Em Rio Grande (RS), o Agora News conversou com a professora Vanusa Pousada da Hora, pesquisadora e referência local em saúde pública e infectologia, que comentou sobre a importância desse avanço.
🗣️ “Estamos diante de uma das maiores inovações contra o HIV”, afirma professora Vanusa
Segundo a professora Vanusa, o lenacapavir representa uma revolução na forma de prevenir o HIV, por combinar eficácia altíssima com facilidade de adesão:
“O lenacapavir é considerado um dos maiores avanços científicos contra o HIV. Ele funciona como PrEP — uma estratégia já oferecida pelo SUS desde 2017 por meio de comprimidos diários — mas agora com apenas duas aplicações por ano, facilitando imensamente o uso contínuo e prevenindo novas infecções”, explica.
Vanusa também reforça que, embora alguns estejam chamando o lenacapavir de “vacina contra o HIV”, essa é uma comparação incorreta:
“Trata-se de um medicamento antirretroviral, não uma vacina. Ele age inibindo a proteína capsídeo do vírus, impedindo que o HIV se multiplique no organismo. As vacinas funcionam de forma diferente, ensinando o sistema imunológico a reagir contra um patógeno.”
💲 Custo elevado pode limitar acesso — e Brasil negocia alternativas
Apesar de ser uma inovação promissora, o lenacapavir tem um alto custo: cerca de US$ 40 mil por ano por paciente, o que equivale a mais de R$ 220 mil. Esse valor tem gerado pressão de organizações como a OMS e a UNAIDS para que a fabricante reduza o preço e facilite o acesso global.
No Brasil, a Gilead já protocolou o pedido de registro do lenacapavir na Anvisa em abril de 2025, com solicitação de análise prioritária. O processo ainda está em avaliação. Caso o registro seja aprovado, a incorporação ao SUS dependerá de etapas como análise da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e estudos de viabilidade orçamentária.
“O Ministério da Saúde está negociando com a empresa para tentar reduzir o preço e viabilizar o uso da medicação pelo SUS. Mas esse processo pode se estender até 2026 ou mais”, detalha Vanusa.
🏥 Rio Grande tem estrutura pronta para receber a nova tecnologia
A cidade de Rio Grande já conta com um serviço de excelência no cuidado a pessoas que vivem com HIV/AIDS: o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Infectologia do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-FURG), vinculado à Ebserh.
“ Tao logo o medicamento seja incorporado ao SUS, o SAE do HU teria capacidade de auxiliar na implementação dessa estratégia.”, afirma Vanusa.
🧷 A prevenção combinada continua sendo essencial
A professora ressalta que, mesmo com o avanço do lenacapavir, outras formas de prevenção não devem ser deixadas de lado. A prevenção combinada — conjunto de estratégias adaptadas a cada pessoa ou grupo — continua sendo a forma mais eficaz de combate ao HIV:
✅ Testagem regular
✅ Uso de preservativos e gel lubrificante
✅ PrEP oral e PEP (profilaxia pós-exposição)
✅ Tratamento como prevenção (I = I: Indetectável = Intransmissível)
“Mais do que uma tecnologia, a prevenção combinada é um compromisso com a vida, com o respeito às diversidades e com a construção de um futuro sem HIV”, conclui a professora Vanusa.
🔍 Resumo
Nome comercial: Yeztugo
Composição: Lenacapavir (antirretroviral de longa duração)
Administração: 2 injeções por ano
Eficácia: até 99,9% na prevenção do HIV
Situação no Brasil: Pedido de registro na Anvisa em andamento
Disponibilidade no SUS: Em negociação, sem data definida
📍 Rio Grande segue acompanhando atentamente essa discussão, com a esperança de que mais esse avanço possa integrar o sistema público e fortalecer o cuidado à saúde de toda a população.
📰 Acompanhe no Agora News RG todas as atualizações sobre saúde, ciência e políticas públicas no município e na região sul do estado.

Professora da FAMED, Vanusa Pousada da Hora fala da importância e do avanço na prevenção da doença. (Foto arquivo pessoal).

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