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HU-Furg participa de estudo internacional sobre tratamento da histoplasmose em pessoas vivendo com HIV/aids

O Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), atuou como centro colaborador em um estudo clínico voltado ao tratamento da histoplasmose disseminada em pessoas vivendo com HIV/aids. A participação do Hospital ocorreu entre os meses de fevereiro e setembro de 2025.

Intitulado “Eficácia e segurança de anfotericina B lipossomal em alta dose (10 mg/kg) para histoplasmose disseminada em aids: estudo randomizado de fase III”, o ensaio clínico teve como instituições proponentes a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (PAHO).

No HU-Furg, a coordenação local ficou a cargo do Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia (SAE Infectologia) e do Grupo de Pesquisa em Micologia Médica da Faculdade de Medicina (FaMed/Furg), com colaboração do Laboratório de Apoio Diagnóstico em Infectologia (Ladi), do Laboratório de Análises Clínicas (LAC) e da Unidade de Farmácia Clínica e Dispensação.

De acordo com a chefe da Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias (Udip), Rossana Basso, a integração entre os diferentes setores do Hospital foi fundamental para o sucesso da pesquisa. “Essa articulação assegurou a segurança dos pacientes, a qualidade do cuidado e o rigor no cumprimento do protocolo, desde a triagem e confirmação diagnóstica até a liberação do tratamento e o acompanhamento clínico”, destacou.

Rossana ressaltou ainda que o trabalho conjunto permitiu monitoramento adequado, uso correto da medicação e respostas rápidas diante de intercorrências. “Além disso, fortaleceu a confiança dos pacientes na pesquisa, favorecendo a adesão ao tratamento e qualificando o cuidado no cotidiano assistencial”, afirmou. Segundo a gestora, a integração entre pesquisa e assistência resultou em “evidências científicas consistentes e em uma assistência mais segura, humanizada e eficiente no âmbito do SUS”.

Pesquisa clínica com impacto direto na assistência

A participação no ensaio clínico possibilitou o diagnóstico precoce da histoplasmose, o acesso a um medicamento considerado padrão ouro — ainda não incorporado ao SUS — e a redução da morbimortalidade, do tempo de internação e do uso de recursos públicos.

Para a enfermeira Bianca Blan, que atuou diretamente no acompanhamento dos participantes, o trabalho em equipe foi essencial. “Implementamos uma rotina sistemática de triagem diária de todos os novos pacientes internados, o que permitiu a identificação precoce de pessoas elegíveis para investigação da histoplasmose”, explicou.

Bianca também destacou a receptividade dos pacientes. “Todos demonstraram interesse em participar, especialmente por terem acesso a um teste diagnóstico até então indisponível na instituição. Nos casos confirmados, foi possível oferecer tratamento com anfotericina B lipossomal, que ainda não está incorporada ao SUS para a forma moderada a grave da doença”, ressaltou.

Segundo a enfermeira, os resultados clínicos foram expressivos. “Observamos excelente recuperação, com redução significativa do tempo de internação e melhor tolerância ao tratamento quando comparado à anfotericina desoxicolato, utilizada rotineiramente”, afirmou. Para ela, a experiência evidencia o impacto da pesquisa na prática assistencial e na redução da mortalidade associada à infecção oportunista.

Durante o período do estudo no HU-Furg, foram triadas 67 pessoas vivendo com HIV para investigação de histoplasmose. Seis tiveram diagnóstico confirmado e três foram elegíveis para o ensaio clínico. Dois participantes receberam anfotericina B lipossomal em dose única de 10 mg/kg e tiveram alta hospitalar em até 14 dias, sem registro de efeitos adversos relevantes.

Reconhecimento institucional e inovação diagnóstica

Para a professora Melissa Xavier, a inclusão do HU-Furg como centro colaborador reflete uma trajetória consolidada de parceria e qualidade técnica. “O grupo coordenador já possuía conhecimento prévio sobre a excelência do serviço de Infectologia e do apoio laboratorial para o diagnóstico de doenças fúngicas do nosso Hospital”, destacou.

A docente ressaltou que esse reconhecimento é resultado de uma integração contínua entre pesquisa, ensino e assistência, construída ao longo de mais de 15 anos. “Essa articulação tem contribuído para a formação de inúmeros profissionais da saúde, em nível de graduação e pós-graduação, e fortalecido diretamente a qualidade da assistência prestada aos usuários do SUS”, afirmou.

A pesquisadora Karine Sanchotene enfatizou o papel estratégico do Laboratório de Micologia no desenvolvimento do estudo. Segundo ela, foram utilizadas metodologias de última geração, capazes de detectar o fungo por diferentes ensaios, incluindo um teste rápido a partir de amostras de urina. “Esse método permite diagnóstico mais ágil, com redução de até quatro horas, menor necessidade de recursos humanos e maior otimização dos resultados”, explicou.

Já a técnica em Análises Clínicas, Fabiana Bernardon, destacou o crescimento profissional proporcionado pelo projeto. “A participação reforçou a tríade pesquisa, ensino e extensão na qual o HU-Furg/Ebserh está inserido. A colaboração entre as equipes foi essencial para o êxito do estudo”, afirmou. Fabiana também ressaltou o compromisso institucional com a população: “É gratificante contribuir para uma assistência de qualidade, 100% SUS, que beneficia diretamente os pacientes”.

Dra Rossana Basso.

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