Por Ronaldo Morgado
Entre os inúmeros Cinemas e casas de espetáculos que funcionaram em Rio Grande, teve destaque, em 1913, o “Cinema Rio Branco”. O estabelecimento foi inaugurado em 1912 e seu nome foi dado em homenagem ao Barão de Rio Branco.
O anúncio do jornal Echo do Sul do dia 15 de março de 1913 possibilita conhecer alguns detalhes deste “centro de diversão para frequência exclusiva das exmas. famílias”.
Cinema era muitas vezes uma chamada que além da projeção de filmes também oferecia performances de artistas, apresentações teatrais, shows musicais etc. As sessões iniciavam às 18 horas e se estendiam até às 23 horas.
Em que local funcionava? A entrada do “Cinema Rio Branco” ficava na Rua Marechal Floriano e a saída era pelo Beco do Afonso. Possivelmente, era um dos prédios na esquina entre estas duas ruas.
O cartão-postal com datação hipotética de 1905-1907 mostra -no lado direito -, a esquina das ruas Marechal Floriano (onde está o trilho do bonde urbano) com o Beco do Afonso. O “Cinema Rio Branco” só ocupou um dos prédios da esquina a partir de 1912
. *Curiosidade: o Beco do Afonso é a denominação de logradouro mais antiga ainda utilizada na cidade. Já estava no mapa urbano de 1829.
CARNAVAL MARAGATO

No dia 19 de fevereiro de 1912, no contexto do carnaval, o jornal O Intransigente que era um veículo em Rio Grande do Partido Republicano Rio-Grandense, publica uma matéria ironizando os maragatos (federalistas que eram opositores do governo de Borges de Medeiros). Os confrontos verbais eram ácidos e por vezes jocosos, como neste caso.
Este clima de acirramento não era ficção: entre 1893-1895 os republicanos castilhistas lutaram contra os federalistas, na “revolução da degola”. Voltariam a se enfrentar numa guerra, chimangos versos maragatos, no ano de 1923.
O versinho criado para debochar de integrantes do Partido Federalista (maragatos) faz referência ao Zé Pereira, um personagem difundido no Brasil desde meados do século XIX e que pode ter tido origem no mesmo período em Portugal. Zé Pereira se refere a um carnaval de rua desorganizado e espontâneo, valendo a bagunça e a espontaneidade dos foliões desafinados. Nesta época em que se buscava disciplinar o carnaval, é uma referência a uma prática carnavalesca de baixo nível.
CLUBE CAIXEIRAL
Na primeira observação visual pensei que era um urubu pela flexibilidade do pescoço. O bom senso fez pensar que não é comum ver esta ave de rapina no centro da cidade.
A fotografia sugere outra ave mesmo que não consegui uma identificação, pois, não sou um ornitólogo.
Porém a impressão é que o Deus do Comércio Hermes (mitologia grega) ou “Mercúrio” (mitologia romana), em meio as ruínas do Clube Caixeiral, será a próxima refeição do carniçal.
Hermes/Mercúrio está resistindo no frontispício do prédio desde a sua inauguração em 1912.
Passados 113 anos ele sabe que a fachada aos seus pés está cansada demais para segurá-lo.
*Texto e imagem Professor Luis Henrique Torres
BROMBERG E OS LAMPIÕES
Neste anúncio do Echo do Sul de 23 de abril de 1913 são vários os modelos de lampiões que estão à venda na loja Bromberg em Rio Grande.
Os lampiões eram essenciais para a iluminação das casas até surgir o fornecimento de luz elétrica nas cidades. Isto ocorreu lentamente a partir dos primórdios dos 1900, no caso do Rio Grande do Sul. Porém, muitas áreas urbanas e, especialmente, na zona rural, a luz elétrica demorou ainda muito mais tempo para chegar.
Além da produção de luminosidade os lampiões eram verdadeiras obras-primas com design sofisticados e, por vezes, com inspiração na antiguidade greco-romana. Ao lado da funcionalidade se buscava a ornamentação das residências.
Os livros escritos por intelectuais como Goethe, Hegel, Darwin ou Nietzsche tiveram a companhia de lampiões ou candelabros. Parte da inteligência humana se constituiu a partir da luz tênue dos lampiões projetada no papel onde deslizava o “bico de pena” com as ideias de um escritor.
LIVRARIA AMERICANA
As livrarias foram essenciais para a publicação e difusão de obras literárias, técnicas ou das mais diferentes áreas ou assuntos.
A Livraria Americana foi uma das mais destacadas do Rio Grande do Sul atuando em Pelotas a partir de 1871, com filiais em Porto Alegre (1879) e Rio Grande (1885).
Um dos trabalhos editoriais da Livraria Americana era as etiquetas de divulgação da própria empresa que eram colados nos livros ou revistas.
Aqui reproduzidas estão algumas etiquetas que estavam afixadas em almanaques franceses da década de 1890. A garimpagem foi feita no acervo da Biblioteca Rio-Grandense.
A Livraria Americana marcou época e deixou inúmeros vestígios materiais de sua passagem.
NAVEGAÇÃO NA LAGOA DOS PATOS
Antes das estradas de rodagem assumirem o controle do fluxo de passageiros e mercadorias entre Rio Grande e Porto Alegre, o meio de transporte utilizado era as embarcações que conduziam “passageiros, cargas e encomendas entre os portos de Rio Grande, Porto Alegre e Pelotas”.
Na década de 1930 a Sociedade de Navegação Cruzeiro do Sul se destacava realizando duas viagens por semana entre Rio Grande e Porto Alegre. O “Jenny Naval” marcou época pelo conforto na viagem de 250 quilômetros pela Lagoa dos Patos.


