--° / --°
Min Max
Artigos Colunistas Cultura EDUCAÇÃO GERAL MANCHETE PAÍS

FATOS E COISAS

 

RÁDIO CASSINO 

Créditos da foto (Pessoal da Rádio Cassino entrevistando o Nico em 2017, detalhe para o equipamento antigo na mesa utilizada pelos reporteres – Acervo Miguelito Medeiros.)

A Rádio Cassino, operando em onda média, com transmissor de um quilowatt de potência, surge em 2 de abril de 1981, com uma equipe dirigida por Renato Espíndola Albuquerque, da qual tivemos o prazer de fazer parte, e implanta uma programação adquirida da Rede LC, de São Paulo, gravada em fitas magnéticas. A cor local era dada por alguns programas produzidos aqui mesmo, como o jornalismo e a interação dos ouvintes nos intervalos dos programas da rede.

Muita informação e entrevistas com personalidades da política, da economia, das artes e outros setores, contribuíram para firmar a marca da emissora, que contava com ótimos profissionais da época: Cláudio Cardoso, Jorge Ravara, Isolmiro Porto, José Almeida Pinto,Norberto Xavier Rosado, Jonas Cardoso, Arly Barros, Assis Brasil Silveira,e muitos outros.

Na década de 1990, a emissora abandona a programação gravada vinda de São Paulo e parte para um rádio que se identifica mais com a comunidade. Surge assim o programa “Cidade Aberta”, transmitido pela manhã, com o jornalista Ramão Freitas comandando uma equipe da qual participavam Jonas Cardoso, Luiz Fernando Weikamp, Edson Figueiredo e Horácio Gomes. Renato Albuquerque, um dos fundadores da emissora, também comandou o“Cidade Aberta” em determinada época, e foi, por vários anos, apresentador do programa gauchesco “Chimarreando com a Cassino”, que era transmitido diariamente nas primeiras horas da manhã. Outro grande nome da radiofonia do Estado, Glênio Freitas, depois de passar pelas rádios Farroupilha e Gaúcha, da capital, e Universidade AM de Pelotas, encerrou a carreira no Cassino.

Em 2002, a Cassino é adquirida pelos experientes empresários da radiodifusão Cláudio Zappe e Pedro Farias, que já possuíam emissoras em Santa Maria e Osório, e gerenciada pelo radialista e publicitário Norberto Xavier Rosado. Dirigida desde 2004 por Luiz Fares, a emissora hoje opera com um transmissor de cinco quilowatts, atingindo inúmeros ouvintes nas principais cidades da Zona Sul.

RINCÃO DA CEBOLA

O famoso Rincão da Cebola, aquele trecho localizado à beira do canal, ligando a rua General Netto, a partir da doca do Mercado, à rua 24 de Maio, cujo projeto de revitalização prevê a          urbanização do local, estacionamentos, iluminação, paisagismo, equipamentos urbanos,bem como uma   guarita, atracadouro e rampa de acesso para barcos, chama-se, na verdade rua Francisco Campello, mas num determinado momento levou o nome do fundador da nossa cidade, Silva Paes.

Antes mesmo de ser aberta a rua, ainda na planta, quando os terrenos eram ocupados pelos quintais das residências existentes na rua General Osório, foi sugerido o nome de Francisco de Paula  Chaves Campello, fato que levou o jornal Diário do Rio Grande, do dia 6 de julho de 1884, a criticar a Câmara Municipal “por estar dando nome às ruas que ainda não existem”. Só em 1888 é que a       Câmara resolve, em definitivo, prestar a sua homenagem ainda em vida ao distinto pelotense que aqui viveu e prestou relevantes serviços.

Na condição de vice-intendente, no governo do Dr. Alfredo Soares do Nascimento, Francisco  Campello, ao assumir a titularidade do cargo em 1914, num de seus primeiros atos, assinado em 18 de julho daquele ano, trocou o seu nome pelo de Silva Paes, em homenagem ao fundador do Rio Grande.

Em 15 de agosto de 1930, no governo do prefeito Antônio Meirelles Leite, a rua volta a se  chamar Francisco Campello e o nome do nosso Brigadeiro, pelo Ato n° 1165, de 15 de outubro de    1930, foi posto então na antiga rua Uruguaiana, que se tornou Avenida Silva Paes.

Francisco Campello nasceu em Pelotas no dia 1º de fevereiro de 1848 e faleceu no Rio de    Janeiro em 17 de julho de 1927.

 

O CAVIAR RIO-GRANDINO 

Rio Grande, uma cidade pesqueira por excelência, já produziu aquele que é considerado o mais famoso manjar extraído do mar: o caviar. Esse nome, inicialmente usado pelos turcos e tártaros como khavyah, é de origem italiana, caviare ou caviale, sendo mais empregado para designar ovas do peixe esturjão. Em outros tempos, no norte do Brasil preparava-se uma espécie de caviar vendida com o nome de “butarga”. Mas foi Nicolai Vilhar, exilado iugoslavo, técnico contratado da FAO para assessorar a indústria de conservas, que instalou aqui a primeira indústria de caviar.

O produto, inicialmente feito com ovas de tainha, por isso chamado Tainoff, ganhou renome e chegou a ser considerado como similar ao caviar importado. Vilhar faleceu no final da década de 1960, sendo a “fábrica” adquirida pelo francês Jean Lacombe, que em fins da década de 70 vendeu a marca para a Leal Santos, e a produção, agora com ovas de miragaia, teve ótima aceitação no Brasil, especialmente nas praças de São Paulo e Rio de Janeiro.

“O que a Leal Santos realmente adquiriu” – narra um dos diretores da época, Henrique José Leal Santos Vieira da Fonseca-“foi a marca Tainoff, já que a ‘fábrica’, situada num antigo prédio existente na esquina das ruas Conde de Porto Alegre e Napoleão Laureano, era constituída apenas de alguns tachos e peneiras. O que realmente valia era uma senhora idosa, que tinha a ‘fórmula’ na memória, e que,obviamente, foi por nós contratada para dar continuidade à produção”.

A partir da década de 80, por decisão do governo, o produto foi taxado como artigo de luxo e o IPI aumentado para 70 por cento,dificultando as vendas, mas a Leal Santos, mesmo assim, continuou produzindo, em pequena escala, o caviar Tainoff até 1994.

A SEMANA SANTA 

Até meados dos anos 50 do século passado, as celebrações de Semana Santa em nossa cidade, além de reflexões e orações em que eram lembrados os acontecimentos ligados à Paixão e Morte de Cristo, culminavam na manhã do sábado de Aleluia, com as ruas cheias de gente assistindo ou participando da queima e malhação dos “Judas”,bonecos feitos com roupas velhas, para criticar pessoas cujos nomes eram revelados em cartazes pendurados no pescoço. Uma brincadeira de mau gosto, pouco comum nos dias de hoje.

Na Sexta-feira Santa as comemorações eram muito rígidas. Além das cerimônias religiosas nas igrejas, as pessoas vestiam-se de preto,roxo ou lilás, como se estivessem de luto. Não podiam cantar, assobiar ou rir em voz alta. As emissoras de rádio só programavam discos de orquestras, quase sempre de música clássica. Os homens não faziam a barba. As proibições se tornavam um tormento para as crianças, que eram repreendidas pelos mais velhos, sem entender muito bem o que estava acontecendo.

Nos cinemas, eram projetados filmes que abordavam temas sacros, de preferência os que mostravam a morte e a ressurreição de Jesus. Um dos filmes – O Rei dos reis- ainda da época do cinema mudo, era repetido todos os anos por ocasião da Semana Santa nos nossos cinemas. A cópia do filme era de propriedade da empresa que explorava aquelas casas de espetáculo e suas exibições perduraram até meados dos anos 50. Também as companhias de teatro amador, existentes naquela época, apresentavam espetáculos baseados na vida de Cristo, nos palcos dos cinemas, em clubes, na União Operária e no Teatro Leão XIII do Colégio Salesiano.

Nos clubes sociais eram realizados os “Bailes de Aleluia”, na noite de sábado para domingo de Páscoa. Era o prosseguimento do Carnaval, com os foliões vestidos à fantasia.

Todas as igrejas realizavam missas durante a Semana Santa, culminando com a procissão do Senhor Ressuscitado, que saia da Matriz de São Pedro às quatro horas da madrugada do domingo de Páscoa,percorrendo as ruas centrais com grande acompanhamento de fiéis.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *