RIO GRANDE E OS CINEMAS
Em 19 de maio de 1897 ocorreu a primeira exibição em nossa cidade do cinematógrafo de Edison, trazido pela Companhia de Variedades Amaranti, no Teatro Sete de Setembro. No dia 4 de julho daquele ano, no mesmo teatro, a Companhia Francesa de Variedades, dirigida pelo ilusionista Faure Nicolée, apresentava o cinematógrafo Lumière.

Durante a primeira década do século passado, vários aparelhos cinematográficos e similares se exibiram nos teatros aqui existentes.
Em 24 de setembro de 1908 é inaugurada a primeira sala de projeção permanente da cidade: o Cinema Palace, na rua Eubank n° 11,com seu funcionamento garantido pela energia elétrica. Ainda em 1908,o Polytheama [construído em 1885] apresenta os cinematógrafos Gaumond, Star e Royal. Em 1910, o cinema é definitivamente implantado nos teatros Sete de Setembro e Polytheama.
Graças às pesquisas que o jornalista Willy César vem realizando na Bibliotheca Rio Grandense, na coluna “Fatos e coisas de antanho”, do jornal Rio Grande, foi descoberta a existência, em 1912, de um cinema na rua Marechal Floriano, n° 99, defronte à praça, inaugurado no dia 16 de novembro daquele ano com o nome de Cinema Moderno, cuja orquestra, hábito na época em todas as salas exibidoras, havia sido contratada em Buenos Aires.
Na década de 1920,o cinema Ideal Concerto funcionava na esquina das ruas Marechal Floriano e Duque de Caxias, onde mais tarde foi construído o Hotel Charrua. O Teatro Sete de Setembro, o primeiro em alvenaria do Estado, inaugurado em 1832, teve sua primeira experiência como cinema em 1910. Depois de várias reformas, o prédio foi demolido em 1948, dando lugar ao edifício inaugurado em 15 de novembro de 1949, onde funcionou como cine-teatro até ser desativado na década de 80, quando foi decretada a morte das grandes salas exibidoras. Na década de 1920 foram inaugurados os cinemas Carlos Gomes 〔1° de fevereiro de 1922), Guarany 〔14 de julho de 1922〕 e Avenida 〔3 de maio de 1929].
O Politheama foi o maior de todos os cinemas do Rio Grande até 1955, quando encerrou suas atividades. Possuía cerca de 1,6 mil lugares, entre a plateia, frisas e galerias. No mesmo ano do fechamento do Politheama, a empresa Cinemas Cupello, que havia se instalado em nossa cidade nos anos 1940 e adquirido os cinemas herdados por Fúlvio Gáudio, inaugurava aquele que seria um dos maiores cinemas do Estado: o Glória, na esquina das ruas Benjamin Constant e Dr. Nascimento. Com 2500 lugares, foi inaugurado no dia 3 de dezembro de 1955, já com o sistema de projeção Cinemascope e som estereofônico, um avanço cinematográfico alcançado nos Estados Unidos um ano antes, que tornou o Glória um dos mais modernos cinemas do Brasil na ocasião. O filme escolhido para a inauguração – Um fio de esperança – vinha fazendo sucesso em todo o mundo e foi mostrado em sessão especial para a imprensa e convidados, encantando a todos que viam pela primeira vez a projeção em tela grande. Após gloriosa carreira, quando imensas filas se formavam para assistir às suas sessões, principalmente nos fins de semana, o Glória encerrou as atividades no início da década de 1980. A partir daquele momento, surgiu o Glorinha, no mezanino, que funcionou até meados de 2005.
Outros cinemas que existiram em nossa cidade: Cine Leão XIII 〔no Colégio Salesianos]; Cine Imperial, que na década de 1940 ocupou o prédio do antigo Rádio-Teatro, na Marechal Floriano, onde mais tarde funcionou a Rádio Minuano; o Cine Lido, primeiramente funcionando no antigo Cine Leão XII e, mais tarde, nos anos 80, na avenida Silva Paes, já com o nome de Cine Plaza; Cine Cassino, no balneário, e vários outros nos distritos e nos bairros.
O TEATRO AMADOR NO RIO GRANDE
Falando em cinemas, não podemos deixar de lado o teatro. Rio Grande foi, talvez, a cidade gaúcha com o maior número de sociedades e grêmios dedicados ao teatro amador. Surgidas no século XIX, as companhias teatrais amadoras apresentavam-se nas sociedades, nos teatros e até em residências. A partir do século XX, já existiam, entre outras, a Companhia Lírico-Dramática Guarany, na década de 1920,idealizada pelo ator e diretor português Bastos Guerra, e a Companhia Beira-Mar, em 1933, pelo ator e diretor Coriolano Benício. Foi a última a encerrar suas atividades, com a morte de Coriolano.
Estas companhias amadoras apresentavam-se quase sempre no palco da Sociedade União Operária, fundada em 1893, e cuja sede social foi construída em 1902 na esquina das ruas Dr. Nascimento e Zalony. Constituía-se em atraente espaço teatral, permanentemente aberto às manifestações artísticas locais. Fechada na década de 60 pelo regime militar implantado no país, transformou-se no Centro Cultural Silva Paes. O prédio foi demolido na década de 80, dando lugar a moderno edifício de apartamentos.
Texto do radialista Célio Soares, publicado no livro Ecos do Passado
O autor do texto original fala do Cine Glória como ‘’sendo um dos maiores do Estado’’, no entanto, ele foi o maior do Brasil. Hoje, se for feita uma rápida pesquisa, aparece o Cinema Roxy, inaugurado em 1938, do Rio de Janeiro como o maior cinema que o Brasil já teve. Mais uma vez Rio Grande é destronado e nada é feito para combater os desmandos históricos. Como vocês leram no texto do Célio Soares, só o Politheama já se igualava com o Roxy, e o Gloria tinha 900 cadeiras a mais. Infelizmente, nenhum dos dois está mais aqui para contar as suas histórias.





