UMA IMAGEM VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS
Esta frase do título pode muito bem ser utilizada na imagem que ilustra este artigo. A imagem em questão é um desenho que foi publicado no livro “The Universal Geography”; by Élisée Reclus, Edited by A.H. Keane, Published by J.S. Virtue & Co., London, tomo XIX. O livro foi publicado em 1894(Reclus esteve no Brasil em 1893).
Este desenho foi feito a partir de uma foto, sabe-se disso porque na edição em língua portuguesa saiu na edição de 1900 do livro Estados Unidos do Brasil: geografia, etnografia e estatística. O desenho da “vista geral do Rio Grande” foi feito por Taylor(faltam mais detalhes do autor).
Feita a apresentação da imagem e de como ela foi obtida, vamos a que o título se refere. No canto esquerdo superior, aparece a Igreja do Bonfim, que foi inaugurada em dezembro de 1887. Ok! Vamos seguir os passos sherlockianos para descobrirmos uma data provável para a foto que originou o desenho! Bom, se a igreja só foi construída em 1887 e Reclus esteve no Brasil em 1893, a foto foi tirada entre 1888 e 1893. Temos uma data em um espaço de 5 anos para trabalhar, neste espaço de tempo podemos usar uma data média e podemos ter uma data hipotética de 1890 para foto.
Bom, a foto nos mostrou sua idade. Agora vamos para o que ela nos mostra da cidade do Rio Grande. Temos o prédio da Alfândega, casarões com dois andares, a Rua Andradas ainda não existia, ou, pelo menos, não saia na Marechal, onde hoje é parte da Cidade Nova e os bairros subsequentes, não existia terra, o Estuário da Laguna dos Patos era maior. Atrás da Igreja do Bonfim tem uma grande duna, com vegetação, no local onde, futuramente, viria a ser a Fábrica Nova, que, por sua vez, foi demolida e vários supermercados já tivemos no local. As fachadas dos prédios mostravam bem a arquitetura colonial portuguesa, além disso, mostra o dia a dia das pessoas da cidade. Duas pessoas paradas na frente de uma casa comercial poderiam estar negociando, ou apenas proseando, já que era um costume visto em muitas outras imagens do século XIX. Quatro pessoas andam pela rua, e não nas calçadas, o que mostra que o fluxo de veículos, neste caso, carroças, era muito pequeno, além de ser um hábito peculiar do rio grandino que perdura até os dias de hoje. Duas das pessoas retratadas no meio da rua parecem ser mulheres, e estão conversando, o que mostra uma intimidade entre elas(parentes, amigas…). A pessoa de bengala passa pelas mulheres, talvez tenha dado uma boa tarde, ahhh, sim, era à tarde e não manhã, se vê pelas sombras. Mais a frente parece ser um menino, talvez esperando sua mãe na conversa, ou um jornaleiro, ou apenas passando pelo local, talvez morador de algum destes prédios.
Teria mais detalhes, mas vou parar por aqui! Claro que além de historiador, também sou fotógrafo, o que ajuda muito na interpretação de uma foto, mas o exercício de analisar uma foto pode ser feito por qualquer um, basta analisar cada detalhe do que aquela imagem está te passando. É um exercício de imaginação e fatos. Como exemplos, posso citar como imaginação o que as mulheres estão fazendo, como fato, posso citar o fato da foto ter sido tirada à tarde, não só pela sombra das pessoas, mas também porque os prédios na Marechal estariam com suas fachadas todas nas sombras, além do que, até as sombras dos telhados mais altos me mostram isso. Ok! Eu conheço Rio Grande e sei onde o sol se põe, mas nós temos ferramentas hoje que nos permitem localizar geograficamente uma cidade, mas admito que nessa fui fundo demais!
Mas o que eu quero passar a quem me lê, é que uma foto é muito mais do que se pensa. Admirem uma foto pela beleza, mas observem

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