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FATOS & COISAS Com Ronaldo Morgado Segundo

O hino da Republica Rio-Grandense

Qual a música do hino da Republica Rio-Grandense? Esta questão, largamente explanada pelo velho farroupilha José Gabriel Teixeira, na Federação e no Anuário do Dr. Graciano, parece hoje perfeitamente elucidada.
O hino foi composto pelo maestro Joaquim de Mendanha, em Maio de 1838, poucos dias depois da tomada da villa do Rio Pardo (30 de Abril) pelos republicanos, que aprisionaram a Mendanhacom toda a musica do 2º batalhão.
A primitiva letra foi escrita pelo então capitão Serafim José de Alencastro e é a seguinte:

No horizonte rio-grandense
se divisa a divindade,
extasiada em prazer,
dando viva á liberdade.
Da gostosa liberdade,
brilha entre nós o clarão;
da constância e da coragem
eis aí o galardão.

Avante, ó povo brioso,
nunca mais retrogadar,
porque atrás fica o abismo
que ameaça vos tragar.

Da gostosa liberdade,etc.
Salve, ó Vinte de Setembro,
dia grato e soberano,
aos heróis continentistas,
ao povo republicano
Da gostosa liberdade, etc.

Salve, ó dia venturoso,
risonho Trinta de Abril,
que aos corações patriotas,
enchestes de gostos mil.
Da gostosa liberdade, etc.

Alfredo F. Rodrigues

Segundo o testemunho do mesmo José Gabriel, para essa musica compuseram-se depois outras quadras, entre elas as seguintes de: Francisco Pinto da Fontoura, mais conhecido por Chiquinho da Vovó:
Como a aurora percussora
Do farol da divindade,
Foi o vinte de setembro
Percussor da liberdade.

Mostremos Valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra,
Sirvam as nossas façanhas
De modelo a toda a terra.

Entre nós reviva Athenas
Para assombro dos tiranos;
Sejamos gregos na glória
E na virtude romanos.

Mostremos valor, constância, etc.

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo;
Povo que não tem virtude,
Acaba por ser escravo.

Mostremos valor, constância, etc.

Estes foram apenas versos de ocasião, como outros muitos, que ficaram esquecidos e se perderam de todo.
Há, porem, outra letra do hino, que, julgo, ficou sendo a definitiva, porquanto a encontrei no Povo nº 63, de 4 de maio de 1839, com o título de Hyno Nacional.
Nas descrições das festas comemorativas da vitória do Rio Pardo, celebradas em 30 de Abril de 1839, em Caçapava, então capital da Republica, foi cantado este hino, que na noticia do Povo é ainda  chamado o hino da nação.
Eil-o:

Nobre povo rio-grandense,
Povo de heróis, povo bravo,
Conquistaste a independência
Nunca mais serás escravo.

Da gostosa liberdade
Brilha entre nós o clarão;
Da constância e da coragem
Eis aqui o galardão.

Avante, ó povo brioso,
Nunca mais retrogradar,
Porque atrás fica o inferno
Que vos há de sepultar.

Da gostosa liberdade, etc.

O majestoso progresso
É preceito divinal,
Não tem melhor garantia
Nossa ordem social.

Da gostosa liberdade, etc.

O mundo que nos contempla
Que pesa nossas ações
Bem dirá nossos esforços,
Cantará nossos brasões.

Da gostosa liberdade, etc.

O que há de mais curioso no histórico deste hino, e parece-me que digo cousa que muito poucos sabem, que a musica não é original de Mendanha, porem, plagiada, ou melhor adaptada por ele.
O sr. Francisco de Paula Chaves Campello, que conhecia perfeitamente o hino revolucionário, por telo ouvido tocar muitíssimas vezes por seu pai, o capitão farroupilha Manoel dos Santos Campello, ouvindo em um teatro da Europa uma valsa de Strauss(o velho), ficou surpreendido de notar semelhança entre ela e o hino.
De volta ao Rio Grande, referiu o fato a seu pai, que lhe confirmou que Medanha havia aproveitado uma valsa para fazer o hino, mudando apenas o compasso.
Pessoa competente asseverou-se que essa mudança de compasso é possível, vindo isto comprovar o plágio ou adaptação de Medanha.
Alfredo F. Rodrigues

Almanak Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul – 1910.

Almanak Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul – 1910
O historiador reproduz a letra do Capitão Serafim José de Alencastro com música do maestro Joaquim de Mendanha.
Com base na música de Mendanha, Francisco Pinto da Fontoura teria escrito a letra do atual Hino Rio-Grandense. Há outra versão da letra publicada no jornal farroupilha O Povo em 1839. Para Alfredo Ferreira Rodrigues este seria o Hino oficial dos Farroupilhas.
Alfredo Ferreira Rodrigues era um rigoroso observador do cotidiano e pesquisador documental. No mínimo levantou hipóteses a serem investigadas: qual foi a valsa de Strauss que foi plagiada? Se realmente foi?

Busto de Alfredo F. Rodrigues.

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