Desde novembro de 2022, o Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-Furg), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), conta com doulas atuando em sua Maternidade e Centro Obstétrico. A iniciativa, alinhada à Política Nacional de Humanização ao Parto e Nascimento e à Lei Municipal nº 8.286/2018, garante às gestantes o direito de serem acompanhadas por essas profissionais durante todas as fases do parto.
Mais do que oferecer apoio físico, as doulas promovem acolhimento emocional e protagonismo às mulheres que dão à luz pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sua presença não substitui a equipe técnica, mas complementa os cuidados com empatia e escuta ativa, proporcionando experiências mais respeitosas e humanizadas.
Segundo Gabrielle Araújo, da Associação de Doulas do Rio Grande do Sul (Adosul), “a doula orienta a gestante e seu acompanhante sobre o que esperar do trabalho de parto, utiliza técnicas de alívio da dor e contribui para tornar esse momento o mais positivo possível”.
Atualmente, cerca de seis doulas voluntárias atuam em plantões organizados de acordo com suas disponibilidades. Elas acompanham gestantes que expressam interesse pelo serviço gratuito, desde a admissão hospitalar até o pós-parto. “As doulas não têm vínculo empregatício com o hospital, mas são cadastradas formalmente pelo HU-Furg para integrar a rede de cuidado”, explica Gabrielle.
A técnica de enfermagem Karine Corrêa, doula voluntária desde setembro de 2023, destaca a importância da preparação. “Ser doula é estar presente durante todo o pré-natal com informações claras e confiáveis, apoiar no parto com métodos não farmacológicos para alívio da dor e orientar no pós-parto, especialmente sobre amamentação e puerpério.”

A formação das doulas tem sido ampliada com o Curso de Doulas Comunitárias, promovido pela Escola de Enfermagem da FURG em parceria com a Adosul e o HU-Furg. As participantes passam por estágio supervisionado no hospital, fortalecendo a prática e ampliando a rede de apoio.
Karine conta que muitas mulheres chegam ao hospital sem informação sobre o processo de parto. “É gratificante poder acolhê-las, empoderá-las e ajudá-las a viver esse momento com mais segurança. Atuamos para que o parto seja uma experiência de protagonismo e não de medo.”
Apesar dos avanços, o reconhecimento formal da profissão ainda é um desafio. “O trabalho voluntário é uma forma de devolver à sociedade o conhecimento que recebemos. Esperamos que mais mulheres se interessem por essa causa, para que possamos continuar sendo apoio umas das outras”, afirma Karine.
Com a presença das doulas, o HU-Furg fortalece sua missão de cuidar com qualidade e humanidade. O impacto é percebido não apenas pelas gestantes, mas por toda a família: menos ansiedade, mais segurança, mais conexão no momento que marca o início de novas vidas.
