Com a previsão de aumento dos eventos climáticos extremos nos próximos meses, a Defesa Civil de Rio Grande iniciou uma série de ações preventivas para fortalecer a preparação do município diante da possibilidade de uma atuação mais intensa do fenômeno El Niño.
Na noite de segunda-feira (22), representantes de associações de moradores de bairros ribeirinhos, lideranças comunitárias e parlamentares municipais participaram de uma reunião na sede da Defesa Civil para discutir estratégias de prevenção, monitoramento e resposta a possíveis enchentes e alagamentos.
O encontro foi conduzido pelo coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Renatinho Gomes, e pelo secretário-executivo da Defesa Civil, Anderson Montiel, que apresentaram a Nota Técnica nº 3 do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX/Furg), documento que aponta a necessidade de atenção para a ocorrência de chuvas intensas e outros eventos associados ao fenômeno climático.
Durante a reunião, também foram debatidas ações previstas no Plano de Contingência do Município, além da importância de ampliar a integração entre o poder público e as comunidades que vivem em áreas historicamente afetadas por cheias.
Segundo Anderson Montiel, a aproximação com as lideranças comunitárias é fundamental para que as ações preventivas sejam mais eficientes.
“Quem vive nos bairros conhece de perto as vulnerabilidades e necessidades de cada localidade. Essas informações ajudam a Defesa Civil a planejar melhor suas ações e responder com mais rapidez em situações de emergência”, destacou.
Um dos principais pontos apresentados foi a proposta de criação dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs), grupos formados por voluntários dos próprios bairros. A iniciativa busca criar uma rede de apoio capaz de auxiliar no mapeamento de áreas de risco, identificar moradores que necessitam de atendimento especial e fortalecer a comunicação entre a população e os órgãos públicos.
Para o coordenador Renatinho Gomes, a experiência vivida durante as enchentes de 2024 mostrou a importância da preparação antecipada e da atuação conjunta entre comunidade e governo.
“A prevenção é a principal ferramenta para minimizar impactos. Precisamos estar organizados e preparados para agir rapidamente caso ocorram novos eventos climáticos extremos”, ressaltou.
Representando a Associação de Moradores do bairro São João, a presidente Geislane Pereira destacou que a participação da comunidade é essencial em momentos de crise.
“Em situações de emergência, quem está mais próximo das famílias é o próprio vizinho. Ter pessoas capacitadas dentro dos bairros fortalece a resposta da comunidade e ajuda toda a cidade”, afirmou.
Já o presidente da União Rio-grandina das Associações de Bairros (URAB), Robert da Silva, lembrou que as enchentes de 2024 deixaram importantes lições para o município.
“Hoje estamos trabalhando de forma planejada, debatendo alternativas e construindo um plano de contingência junto à Defesa Civil. A preparação faz toda a diferença quando enfrentamos situações extremas”, avaliou.
A expectativa da Defesa Civil é ampliar o diálogo com as comunidades nos próximos meses, fortalecendo a cultura da prevenção e preparando o município para enfrentar possíveis impactos causados pelo El Niño durante a primavera e o verão.


