O incêndio registrado na madrugada desta sexta-feira em embarcações abandonadas na região da Hidroviária, em Rio Grande, levanta um questionamento inevitável: precisavam esperar o fogo acontecer novamente para tomar alguma atitude?
As imagens das chamas consumindo os barcos escancaram aquilo que já havia sido denunciado anteriormente: o abandono completo de embarcações deterioradas em uma das áreas mais visíveis da cidade, sem fiscalização efetiva, sem remoção e sem qualquer sinal concreto de prevenção.
O caso ganha contornos ainda mais graves porque o problema já havia sido alertado publicamente. Dias atrás, denúncias encaminhadas ao Agora News RG cobravam providências urgentes sobre o estado das embarcações largadas às margens da lagoa, apontando riscos ambientais, estruturais e de segurança.
Mesmo assim, nada foi feito.

Agora, após o incêndio durante a madrugada, fica a sensação de que o desastre era praticamente anunciado. Um cenário previsível, ignorado por quem deveria agir antes que o pior acontecesse.
A responsabilidade precisa ser esclarecida. Seja Portos RS, Marinha ou qualquer órgão competente ligado à fiscalização e segurança da área portuária, alguém precisava ter tomado providências antes que as chamas voltassem a atingir as embarcações.
O episódio reacende críticas sobre o abandono da área portuária e a ausência de ações preventivas. Afinal, não se trata apenas de barcos velhos largados na margem. Trata-se de risco real de incêndio, dano ambiental, ameaça à segurança pública e destruição de uma área histórica da cidade.
As imagens registradas durante a madrugada mostram fogo alto, fumaça intensa e mais um episódio lamentável envolvendo estruturas abandonadas na zona portuária rio-grandina.
A pergunta que permanece é simples e direta: se a denúncia já existia, por que deixaram acontecer?
