
Por Ariane Morales
Conexão nada mais é do que um vínculo afetivo. Um território sagrado, preenchido por empatia, vulnerabilidade e trocas mútuas. E é exatamente aí que o bicho pega.
Quantas vezes nos pegamos conectados a alguém, desarmados e frágeis, com a alma completamente despida, enquanto o outro mal tirou o casaco?
Fico pensando se somos cegos por não enxergar que o outro continua vestido.
Talvez a nossa própria ânsia por intimidade emocional nos venda os olhos, fazendo com que ignoremos sinais que, em dias de clareza, seriam óbvios.
Quantas vezes, ao limpar as lentes do passado e revisitar uma velha conversa, percebemos a verdade?
Enquanto você se abria e entregava seus maiores segredos, o outro era um mero espectador. Era você quem romantizava a cena ao contá-la aos amigos. Era você quem floreava as palavras, os gestos ensaiados e os silêncios frios.
Enquanto você era presença inteira, o outro era apenas uma sombra ausente.
É por isso que, quando alguém vira ex, a pessoa perde a beleza que costumava ter na nossa memória. Os olhos vão se abrindo devagar.
Quando a máscara finalmente cai e se estraçalha no chão, o que sobra dela?
Um sorriso cínico. Uma manipulação barata disfarçada de bem-querer. Um olhar que mirava o horizonte enquanto você falava com o coração. Um carinho no cabelo feito no piloto automático.
É o doloroso instante em que você percebe que estava sozinha em uma ponte que só tinha um lado.
O outro usou um disfarce tão bem elaborado que fez você jurar que existia um elo.
Mas nunca houve.
Não da parte dele.
Diante do deserto do outro, resta apenas recolher os próprios pedaços, calçar os sapatos e seguir em frente.
Mas não saia dessa história com as mãos vazias.
Olhe para trás uma última vez e repare no tamanho da sua coragem.
Afinal, se você foi capaz de dar um mergulho profundo em um lugar tão raso e, ainda assim, sobreviveu, imagine do que é capaz quando encontrar alguém que seja imensidão.
Você não perdeu nada.
Só descobriu que tem um oceano inteiro dentro de si, esperando por quem finalmente saiba nadar.
