Iniciativa garante atendimento psicológico inicial a vítimas de violência doméstica e amplia atuação preventiva nas escolas
Antes de registrar uma ocorrência, existe uma mulher que precisa ser ouvida. É a partir dessa compreensão que Rio Grande passa a contar com uma nova ferramenta de acolhimento às vítimas de violência doméstica.
Foi assinado nesta sexta-feira (4) o Termo de Cooperação Técnica entre a Prefeitura do Rio Grande e a Polícia Civil para implantação do projeto “Primeira Porta”, iniciativa que busca oferecer atendimento especializado às mulheres justamente no momento em que elas procuram ajuda.
O diferencial está na chegada. Antes mesmo do registro da ocorrência, a vítima poderá contar com uma escuta profissional e qualificada, recebendo orientações, informações e encaminhamentos de acordo com sua necessidade.
E, nesse processo, ganha destaque o trabalho das mulheres que atuam na Polícia Civil e na rede de proteção, profissionais que diariamente lidam com histórias de violência, medo, vulnerabilidade e, muitas vezes, silêncio.
🤝 UMA PRIMEIRA PORTA PARA RECOMEÇAR
O projeto nasceu da experiência da psicóloga e servidora pública Deiza Alessandra Gomes, que identificou, durante sua atuação com mulheres em situação de vulnerabilidade, a necessidade de oferecer suporte emocional desde o primeiro contato com a polícia.
“A mulher, vítima de violência doméstica, vai chegar aqui para ser atendida e já vai sair daqui com informações, direcionamento e encaminhamento”, explica Deiza.
Com a parceria, a Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA) passa a contar, de segunda a sexta-feira, em horário comercial, com a presença da profissional de psicologia para realizar esse acolhimento inicial.
A proposta é simples, mas pode fazer uma diferença enorme: acolher antes de encaminhar, ouvir antes de perguntar e orientar antes que a vítima saia novamente para enfrentar sozinha uma situação de violência.
👮♀️ POLÍCIA CIVIL: MULHERES NA LINHA DE FRENTE DA PROTEÇÃO
Entre as profissionais que atuam nesse trabalho está a delegada Alexandra Sosa, responsável pela Delegacia de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPPGV).
Para ela, a presença da psicóloga representa um importante reforço no atendimento e na segurança das vítimas.
Além do acolhimento emocional, a profissional também auxiliará no preenchimento do Formulário de Avaliação de Risco, documento que integra o processo de solicitação de medidas protetivas.
É um trabalho que exige conhecimento técnico, mas também sensibilidade, escuta e humanidade.
E é justamente nesse ponto que a presença feminina ganha ainda mais significado.
São mulheres atendendo mulheres que chegam, muitas vezes, assustadas, fragilizadas e sem saber exatamente qual caminho seguir.
🌱 PROTEÇÃO TAMBÉM COMEÇA ANTES DA VIOLÊNCIA
A parceria não ficará restrita ao atendimento das vítimas.
A Polícia Civil também realizará ações preventivas e educativas sobre violência de gênero nas escolas da rede municipal e em outras unidades que necessitarem da iniciativa.
A ideia é trabalhar informação e prevenção para que crianças, adolescentes e comunidades possam reconhecer situações de violência e compreender a importância da denúncia e da proteção.
🔗 UMA REDE QUE PRECISA FUNCIONAR
A assinatura do termo reuniu representantes da Prefeitura, Polícia Civil, Judiciário, Legislativo, OAB e demais instituições que integram a rede de proteção.
Entre as participantes estavam a delegada regional da Polícia Civil, Lígia Furlanetto, a juíza da Vara de Violência Doméstica, Denise Dias Freire, além de profissionais e gestores envolvidos no enfrentamento à violência contra as mulheres.
A prefeita Darlene Pereira destacou que a iniciativa representa mais um passo na construção de uma rede integrada de proteção.
E talvez esse seja o principal significado do Primeira Porta: mostrar que, quando uma mulher decide pedir ajuda, ela não pode encontrar apenas uma porta burocrática. Precisa encontrar pessoas preparadas para acolhê-la.
Porque, muitas vezes, o primeiro atendimento pode ser justamente o momento em que uma mulher começa a encontrar forças para romper o ciclo da violência.
E quando essa porta é aberta por outra mulher, que conhece a realidade e sabe ouvir, o acolhimento ganha ainda mais força.
