Uma trajetória construída por gerações de trabalhadores, marcada por lutas, negociações e pela defesa de direitos em uma das atividades que ajudaram a construir a identidade econômica da região
Há histórias que atravessam gerações. Há profissões que atravessam o tempo. E há entidades que se tornam parte da própria história de uma cidade.
Em setembro, o Sindicato dos Marítimos de Rio Grande e São José do Norte celebra 115 anos de existência. São mais de onze décadas acompanhando as transformações do trabalho marítimo, participando das negociações da categoria e defendendo profissionais que fazem do mar o seu local de trabalho.
Mais do que uma data comemorativa, os 115 anos representam a memória de diferentes gerações de trabalhadores que passaram pelas embarcações, pelos portos e pelas atividades ligadas à navegação.
Em uma região cuja história está profundamente ligada ao mar, a trajetória do sindicato se confunde, em muitos momentos, com a própria evolução das relações de trabalho no setor marítimo.
UMA ENTIDADE QUE NASCEU COM O TRABALHADOR
Ao longo de mais de um século, o Sindicato dos Marítimos de Rio Grande e São José do Norte acompanhou períodos de crescimento, dificuldades econômicas, mudanças tecnológicas e profundas transformações no mundo do trabalho.
A essência, porém, permanece a mesma: representar os trabalhadores e defender condições dignas e seguras para o exercício da profissão.
A atuação sindical tornou-se uma ferramenta para levar as reivindicações da categoria às empresas, aos órgãos públicos e às instituições responsáveis pela fiscalização e regulamentação do setor.
Negociar, reivindicar, fiscalizar e, quando necessário, mobilizar os trabalhadores fazem parte de uma rotina construída ao longo de décadas.
MAIS DE 300 ACORDOS E UMA HISTÓRIA DE NEGOCIAÇÃO
Uma das principais marcas da atuação sindical está nas negociações coletivas.
Segundo dados apresentados pela entidade, ao longo de sua história foram mais de 300 acordos coletivos homologados.
Atualmente, o sindicato informa que mais de 86% das empresas que atuam no setor possuem acordos vigentes com a entidade.
Cada negociação representa mais do que números. São discussões envolvendo salários, jornadas, condições de trabalho, direitos e responsabilidades de trabalhadores e empresas.
Em uma atividade que possui características próprias, com profissionais que podem permanecer longos períodos embarcados, a negociação coletiva ganha importância ainda maior.
É por meio dela que questões específicas da profissão podem ser discutidas e transformadas em regras capazes de oferecer maior segurança às relações de trabalho.
UMA CONQUISTA QUE MARCOU A CATEGORIA
Entre os momentos destacados na trajetória da entidade está a inclusão do piso da categoria na legislação estadual do Rio Grande do Sul, em 2014.
A conquista representou um avanço na valorização dos profissionais marítimos e estabeleceu uma referência importante para a categoria.
O reconhecimento da atividade profissional também passa pela remuneração, mas não se limita a ela.
Segurança, condições adequadas a bordo, respeito à jornada, alimentação, qualificação e estrutura de trabalho fazem parte de uma discussão permanente.
QUEM TRABALHA NO MAR PRECISA ESTAR PREPARADO
O avanço tecnológico transformou as embarcações e tornou o trabalho marítimo cada vez mais técnico.
Nesse cenário, a qualificação deixou de ser apenas uma oportunidade profissional. É também uma questão de segurança.
O Sindicato dos Marítimos de Rio Grande e São José do Norte destaca seu pioneirismo na realização de cursos de Moço de Convés Extra-PREPOM/Extra-FPDM, realizados em 2011 e novamente em 2026.
A formação de novos profissionais abre portas para quem busca ingressar na atividade e, ao mesmo tempo, contribui para preparar trabalhadores diante das exigências de um setor em constante transformação.
Para uma região que possui no complexo portuário e marítimo uma importante fonte de empregos e movimentação econômica, investir em mão de obra qualificada significa fortalecer toda a cadeia produtiva.
QUANDO A DEFESA DO TRABALHADOR TAMBÉM É DEFESA DA SEGURANÇA
No trabalho marítimo, a discussão sobre direitos está diretamente relacionada à segurança.
Uma jornada inadequada, uma embarcação sem estrutura necessária ou a falta de profissionais capacitados podem representar riscos que ultrapassam a relação entre empregado e empregador.
Por isso, o sindicato também atua na cobrança pelo cumprimento das normas.
A entidade informa que encaminha denúncias aos órgãos competentes quando identifica situações consideradas irregulares e que recorre ao Poder Judiciário quando necessário.
Também fazem parte de sua história as mobilizações realizadas em defesa das reivindicações dos trabalhadores.
É uma atuação que procura garantir que o desenvolvimento do setor aconteça sem deixar o trabalhador em segundo plano.
AS LUTAS DE HOJE
Os 115 anos são motivo de celebração, mas também representam um momento para olhar para os desafios que permanecem.
Entre as pautas defendidas atualmente pelo Sindicato dos Marítimos de Rio Grande e São José do Norte estão a ampliação do cartão de lotação, a manutenção do cozinheiro a bordo e o fortalecimento da formação, qualificação e aperfeiçoamento dos profissionais.
São questões que fazem parte da realidade cotidiana de quem trabalha embarcado.
Para quem está em terra, determinados detalhes podem parecer pequenos. Para quem passa horas ou dias dentro de uma embarcação, entretanto, eles fazem parte diretamente das condições de trabalho, da qualidade de vida e da segurança.
RIO GRANDE E SÃO JOSÉ DO NORTE: CIDADES QUE TÊM O MAR NA SUA HISTÓRIA
Poucas coisas representam tanto a identidade de Rio Grande e São José do Norte quanto o mar.
A navegação, o porto, a indústria, os serviços marítimos e toda a cadeia econômica ligada às atividades aquaviárias fazem parte da história e do presente dos dois municípios.
Nesse cenário, os marítimos desempenham uma função que muitas vezes não aparece para quem observa a movimentação portuária de longe.
São eles que estão a bordo.
São eles que enfrentam jornadas específicas, períodos afastados de suas famílias, responsabilidades técnicas e as particularidades de um ambiente de trabalho que não se compara à rotina convencional em terra.
Por trás de cada operação existe uma equipe de trabalhadores.
E por trás desses trabalhadores existe uma história de organização e representação construída ao longo de gerações.
115 ANOS DEPOIS, O DESAFIO CONTINUA
O mundo do trabalho mudou.
As embarcações mudaram. A tecnologia avançou. Os processos ficaram mais modernos e as exigências profissionais aumentaram.
Mas o desafio de garantir que o trabalhador acompanhe essa transformação sem perder direitos continua atual.
Para uma entidade com 115 anos, talvez esse seja um dos maiores desafios: olhar para o futuro sem esquecer a história que trouxe a categoria até aqui.
A modernização precisa caminhar ao lado da qualificação. O desenvolvimento econômico precisa estar acompanhado de segurança. E a produtividade precisa respeitar quem efetivamente coloca a mão na massa — ou, neste caso, quem coloca o trabalho no mar.
UMA HISTÓRIA FEITA DE HOMENS, MULHERES E GERAÇÕES
Uma entidade sindical não é apenas uma sede, uma diretoria ou um conjunto de documentos.
Sua verdadeira história está nas pessoas.
Está nos trabalhadores que passaram décadas embarcados. Nos profissionais que lutaram por melhores condições. Nas famílias que acompanharam longos períodos de ausência. Nas gerações que ingressaram na profissão e deram continuidade a uma atividade essencial para a região.
São essas histórias individuais que, somadas, formam a memória coletiva da categoria.
E é justamente por isso que celebrar 115 anos é também reconhecer quem veio antes.
UM OLHAR PARA O FUTURO
Ao completar 115 anos, o Sindicato dos Marítimos de Rio Grande e São José do Norte carrega consigo uma história construída em meio às transformações do setor marítimo e às lutas dos trabalhadores.
A entidade chega ao aniversário com conquistas acumuladas, mas também com novas reivindicações e desafios pela frente.
Porque a história do trabalho nunca termina.
Enquanto houver navios, embarcações, portos e operações marítimas, haverá profissionais responsáveis por fazer essa engrenagem funcionar.
E enquanto houver trabalhadores, haverá a necessidade de representação, diálogo e defesa de direitos.
115 anos depois, o mar continua sendo o cenário. Mas o verdadeiro protagonista dessa história permanece sendo o trabalhador marítimo.
115 ANOS DE HISTÓRIA. 115 ANOS DE LUTA. 115 ANOS DE REPRESENTAÇÃO.
Sindicato dos Marítimos de Rio Grande e São José do Norte — uma história construída por trabalhadores e que continua navegando em direção ao futuro.
