Por Ariane Morales
Qual é a chance de estarmos pendurados em um penhasco, segurando nossa mãe em uma mão e nosso marido na outra? Ou nosso filho e nossa esposa? Te digo: quase nula.
Então, por que colocar as pessoas em uma fila do amor? Por que estabelecer ordens de prioridade para quem amamos?
O amor romântico chega por volta da adolescência, mas isso não significa que os pais precisem sair de cena para dar palco a esse novo sentimento. Da mesma forma, os filhos chegam depois que escolhemos um parceiro para compartilhar a vida. Então, por que cargas-d’água o cônjuge precisaria ser deixado de lado para que a maternidade ou a paternidade seja exercida com afinco?
Podemos, simplesmente, deixar cada uma das pessoas especiais da nossa vida no topo do coração. Todas juntas. Cada uma ocupando o espaço que conquistou por mérito, sem precisar disputar com ninguém para saber quem é o mais amado.
É lógico que cada pessoa tem seu papel dentro da dinâmica das relações. O marido pode ser o socorro nas urgências; a mãe, o ombro amigo; o filho, o maior motivo para não chutarmos o balde; e as amigas, aquele alívio necessário em meio à crise.
E está tudo bem.
Todos os amores da sua vida podem ocupar o mesmo patamar, exercendo missões diferentes.
O mesmo vale para o lugar que você ocupa no coração dos outros.
Talvez você não seja a amiga procurada para resolver um problema sério, mas seja a companhia perfeita para arrancar boas risadas. Talvez seu marido tenha na mãe um porto seguro para o cuidado, mas seja para você que ele corra quando precisa dividir seus anseios mais profundos.
Seu filho pode encontrar no pai a leveza necessária para desabafar sobre uma situação difícil e, em você, a conversa madura e o puxão de orelha de que precisa.
E assim seguimos pela vida.
Sem a neurose de descobrir qual é a nossa posição em um ranking invisível. Sem a vaidade de disputar um lugar no pódio.
Porque amor não deveria ser competição.
Não existe medalha para quem ama mais. Não existe primeiro, segundo ou terceiro lugar. Não precisamos diminuir um amor para fazer outro caber.
Seguimos, então, com uma única e libertadora certeza: o amor não é um cabo de guerra, nem uma escolha de vida ou morte diante de um penhasco.
O amor é, na verdade, a rede de proteção que nos segura quando o chão nos falta.

