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GERAL MANCHETE

Tarifa sobe para R$ 6,75, mas usuários seguem enfrentando travessia precária entre Rio Grande e São José do Norte

Reajuste aprovado pela AGERGS reacende críticas sobre segurança, qualidade do serviço e demora na licitação definitiva, poucos dias após incidente com embarcação durante a travessia.

A decisão do Conselho Superior da AGERGS de aprovar o reajuste da tarifa da travessia hidroviária entre Rio Grande e São José do Norte para R$ 6,75 provocou novas críticas entre usuários do serviço. Embora o aumento tenha sido justificado pela necessidade de reequilíbrio contratual, passageiros questionam a cobrança de uma tarifa maior em um sistema que, segundo eles, continua apresentando problemas de segurança, conforto e confiabilidade.

O reajuste foi aprovado nesta terça-feira (30) e passa a valer após a publicação oficial da decisão. A autorização ocorreu depois que a Metroplan apresentou um cronograma para a realização da licitação definitiva da travessia, prevista para ter edital publicado apenas em janeiro de 2027.

Apesar da definição do calendário, a realidade enfrentada diariamente pelos usuários ainda gera preocupação. O serviço opera há anos em caráter precário e voltou a ser alvo de questionamentos recentemente, após uma embarcação apresentar problemas mecânicos durante uma travessia, obrigando passageiros a enfrentar momentos de apreensão em pleno estuário da Lagoa dos Patos.

O episódio reforçou um sentimento recorrente entre moradores de Rio Grande e São José do Norte: a insegurança. Para muitos usuários, antes de qualquer reajuste tarifário, seria necessário garantir embarcações em perfeitas condições, maior fiscalização, pontualidade e um serviço compatível com a importância da ligação hidroviária entre os dois municípios.

Além da questão da segurança, passageiros também relatam atrasos, limitações operacionais e falta de investimentos ao longo dos últimos anos. A travessia é utilizada diariamente por trabalhadores, estudantes, pacientes em tratamento de saúde e famílias que dependem do transporte para manter suas atividades, tornando a qualidade do serviço uma necessidade essencial.

Como contrapartida ao reajuste, a AGERGS determinou que a empresa TransNorte intensifique a manutenção preventiva das embarcações e cumpra todas as exigências estabelecidas pelo órgão regulador. Também foi recomendada a criação de um Conselho de Usuários, permitindo que a população participe das discussões sobre a operação e possa contribuir com sugestões e fiscalizar a qualidade do serviço.

Outra decisão do Conselho foi determinar que a diferença decorrente do atraso na análise do reajuste seja considerada na próxima revisão tarifária.

A conta chega antes da melhoria

Embora a promessa de uma licitação definitiva represente uma expectativa de mudanças, ela ainda está distante da realidade dos usuários. Se o cronograma for cumprido, o edital será lançado apenas em janeiro de 2027, mantendo por mais alguns meses um sistema que continua funcionando sob autorização precária.

Enquanto isso, a população passa a pagar mais caro por uma travessia que ainda convive com críticas relacionadas à segurança, manutenção das embarcações e qualidade do atendimento.

Para muitos passageiros, o aumento da tarifa deveria vir acompanhado de melhorias visíveis, e não apenas de promessas de investimentos futuros. Afinal, quem utiliza diariamente a travessia espera mais do que um transporte entre duas cidades: espera segurança, respeito e um serviço à altura da importância da ligação hidroviária entre Rio Grande e São José do Norte.

 

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