O Hippocampus Ponto de Cultura, no Balneário Cassino, recebeu no dia 6 de junho a exibição do documentário “Isso Não é uma Valeta”, produção do grupo Câmera Verde que levou moradores, estudantes, pesquisadores e ambientalistas a refletirem sobre as transformações dos ecossistemas urbanos e os impactos das intervenções humanas sobre os cursos d’água naturais.
A obra resgatou a história do tradicional Riacho do Gelo, referência afetiva e geográfica para gerações de moradores do Cassino. Durante décadas, o local serviu como ponto de encontro e orientação para pescadores e turistas. Com o avanço da urbanização, a paisagem foi sendo modificada e o riacho passou por alterações significativas, resultando em um processo de descaracterização que preocupa especialistas e a comunidade.
Durante a exibição, o documentário apresentou um alerta sobre a forma como arroios e sangradouros vêm sendo tratados em projetos de drenagem urbana. A produção destacou que esses ambientes desempenham funções ecológicas fundamentais, contribuindo para o escoamento natural das águas, a redução de alagamentos, a regulação da temperatura, a manutenção da biodiversidade e a qualidade de vida da população.
Entre os dados apresentados, chamou a atenção a informação de que mais de 100 árvores foram removidas da área associada ao Riacho do Gelo, impactando diretamente a fauna e a flora locais. O documentário também ressaltou a presença de diversas espécies que dependem desse ecossistema, incluindo a lontra, considerada vulnerável à extinção no Brasil.
Mais do que abordar questões ambientais, a produção promoveu uma reflexão sobre memória, pertencimento e identidade territorial. O filme mostrou como as transformações da paisagem afetam não apenas o meio ambiente, mas também os vínculos históricos e afetivos construídos pela comunidade ao longo do tempo.
A iniciativa contou com o apoio do Hippocampus Ponto de Cultura, da Companhia Turno 2, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e do Projeto Sangradouros Vivos. Ao final da exibição, os participantes puderam ampliar o debate sobre desenvolvimento urbano, conservação ambiental e responsabilidade coletiva na preservação dos recursos naturais.
A atividade reforçou a importância dos sangradouros para a sustentabilidade das áreas urbanas e destacou a necessidade de olhar para esses espaços como ecossistemas vivos, carregados de biodiversidade, história e significado para a população local.