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Festa de Iemanjá no Cassino registra maior concentração de fiéis em mais de 50 anos

A 51ª edição da Festa em homenagem à Iemanjá, a Rainha do Mar, entrou para a história como a maior já realizada no Balneário Cassino, em Rio Grande. Conforme a organização, a celebração reuniu a maior concentração de fiéis das últimas cinco décadas, consolidando o evento como uma das mais expressivas manifestações religiosas do Rio Grande do Sul.

As atividades iniciaram no dia 28 de janeiro e tiveram seu ponto alto entre a noite de domingo (1º) e a madrugada de segunda-feira (2 de fevereiro), sob Lua Cheia, no Campo do Praião, em frente ao monumento à orixá. Milhares de pessoas participaram das cerimônias, em um cenário marcado por fé, espiritualidade, ancestralidade e respeito às tradições de matriz africana.

A programação contou com manifestações culturais, apresentações artísticas e a presença de mães e pais de santo de diversos terreiros de Rio Grande e de várias regiões do Estado. Organizada pela União Riograndina de Cultos Umbandistas e Afro-Brasileiros Mãe Iemanjá (Urumi), com apoio da Prefeitura Municipal, a festa reafirmou sua força religiosa, cultural e social.

Fé que move multidões

Um dos momentos mais marcantes foi a tradicional Caminhada da Fé, que reuniu milhares de devotos ao longo de dezenas de quilômetros até o Cassino, além da Procissão da Fé, realizada na Avenida Rio Grande, sob coordenação do Centro Espírita de Umbanda Jurema da Marola, com encerramento junto ao monumento à Iemanjá. A estimativa inicial era de 180 mil participantes, sendo cerca de 30 mil caminhantes — números que, segundo os organizadores, podem ter sido superados.

Relatos de devoção emocionaram o público. A caminhante Valéria Terra percorreu cerca de 30 quilômetros carregando uma vela de quase dois metros, em agradecimento pela aprovação do filho na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Já Jéssica dos Reis, enfrentando a chuva durante o trajeto, descreveu a água como “abençoada” enquanto fazia pedidos pela saúde da filha. Mesmo durante a madrugada, centenas de fiéis seguiam em direção ao balneário.

No palco montado em frente ao monumento, apresentações culturais marcaram a noite, com destaque para o grupo Kimbra e a cantora Ana Clara, integrando arte, música e espiritualidade à celebração.

Lideranças religiosas e preservação ambiental

A presidenta da Urumi, Mãe Maria D’Oyá, destacou a força da fé e da união do povo, agradecendo a presença massiva dos fiéis e o apoio do poder público. Em sua fala, pediu que “Iemanjá cubra todos com seu manto sagrado, trazendo prosperidade, saúde e felicidade”.

A gestora ambiental da Urumi, Janaína da Fonseca, reforçou o simbolismo espiritual e cultural da festa, ressaltando a ancestralidade e a resistência das religiões de matriz africana, além da importância da preservação das águas e do meio ambiente, elementos sagrados dentro da tradição.

Encerramento simbólico

Por volta das 2h da madrugada de segunda-feira, a prefeita Darlene Pereira e Mãe Maria D’Oyá realizaram a tradicional entrega de flores à Iemanjá, junto ao monumento no Cassino, em um dos momentos mais simbólicos da celebração. Na manhã seguinte, uma gira de Umbanda foi realizada à beira-mar, encerrando oficialmente a programação com a entrega de um barco ecológico com oferendas.

Reconhecimento institucional e impacto econômico

A prefeita Darlene Pereira ressaltou a festa como expressão da liberdade religiosa, da diversidade cultural e da identidade rio-grandina, além de seu papel turístico. “Cada ano a Caminhada da Fé cresce mais. Este ano, o aumento foi visível”, afirmou.

O secretário do Cassino, Miguel Satt, destacou os investimentos em infraestrutura no balneário, como a instalação de 600 metros de iluminação na orla em homenagem à Iemanjá, além do trabalho integrado das secretarias municipais e forças de segurança.

A secretária-adjunta de Cultura e Economia Criativa, Janice Salomão Hias, enfatizou a festa como expressão viva da memória, da identidade e da ancestralidade afro-brasileira. Já o vice-prefeito Renato Gomes, o Renatinho, apontou o caráter regional e internacional do evento, com a presença de fiéis do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Uruguai, além do impacto positivo na economia local.

O secretário-adjunto do Turismo reforçou a importância da celebração para a consolidação do turismo religioso em Rio Grande, enquanto o vereador Glauber Nunes defendeu o reconhecimento oficial do dia 2 de fevereiro como Dia de Iemanjá no calendário municipal. O deputado estadual Halley Lino de Souza destacou o valor histórico e cultural da festa e associou o simbolismo da orixá à luta contra a violência contra as mulheres.

A 51ª Festa de Iemanjá reafirma Rio Grande como território de fé, diversidade, resistência cultural e convivência, fortalecendo não apenas a espiritualidade, mas também o turismo e a economia do município.

Foto Assessoria PMRG

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