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Casa de Oxum Taladê recebe debate sobre saúde da população negra e saberes ancestrais

A Casa de Oxum Taladê, comandada pela ialorixá Mãe Graça de Oxum, sediou na terça-feira (28) um encontro que reuniu especialistas, religiosos e membros da comunidade para discutir a saúde da população negra, o papel das benzedeiras e o poder curativo das plantas medicinais. A atividade integrou a programação da Semana Municipal contra a Intolerância Religiosa, organizada pela própria casa em parceria com a Prefeitura do Rio Grande, instituições de matriz africana e outras entidades locais. A programação segue até sexta-feira (31).

O evento foi idealizado por Mãe Graça de Oxum como uma forma de fortalecer o terreiro como espaço de aprendizado e troca de saberes. Participaram do debate a técnica de enfermagem e filha de santo Eliane Menezes, que abordou a saúde da população negra, e o babalorixá Milton Pucinelli, que destacou a ancestralidade, o papel das benzedeiras e o uso de plantas medicinais na promoção da saúde. Também esteve presente Chendler Siqueira, coordenador de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial e presidente do Conselho dos Povos de Terreiro no Rio Grande, que apresentou novamente o projeto Caminhos Negros, voltado ao mapeamento da história e das referências da população afrodescendente no município.

Durante sua fala, Eliane Menezes ressaltou que os terreiros funcionam como espaços de resistência e promoção da saúde. “Falar sobre saúde da população negra nesses ambientes é multiplicar conhecimento e fortalecer o cuidado coletivo”, afirmou. Ela lembrou que o Rio Grande conta com um centro de referência para anemia falciforme e outras doenças prevalentes na população negra, localizado no Hospital Universitário, e defendeu a ampliação dos serviços específicos para esse público. Segundo ela, práticas tradicionais como o uso de ervas, defumações e chás fortalecem a identidade afro e promovem o bem-viver, integrando corpo, mente, natureza e espiritualidade.

O legado das benzedeiras

O babalorixá Milton Pucinelli, historiador e produtor cultural, destacou o papel histórico das benzedeiras e o valor simbólico e prático das ervas medicinais no cuidado com corpo e espírito. “As benzedeiras são as verdadeiras sacerdotisas do nosso povo. Elas curavam com fé, sabedoria e força da ancestralidade”, afirmou.

Pucinelli explicou que, embora o número de benzedeiras tenha diminuído e sua presença se tornado menos visível, elas continuam atuando nas comunidades e nos quintais, preservando saberes transmitidos pelas gerações. Segundo ele, o reconhecimento dessas mulheres sofreu impacto de processos históricos que desvalorizaram os saberes populares. “Resgatar a história das benzedeiras é preservar nossa identidade. Elas foram o posto de saúde das comunidades, garantindo o alívio das dores quando não havia acesso à medicina formal”, disse.

O babalorixá reforçou que práticas tradicionais de cura não se opõem à medicina científica, mas a complementam: “O chá, o banho e a reza atuam na alma e na mente, enquanto os medicamentos atuam no corpo. É fundamental respeitar a sabedoria ancestral.”

Programação da Semana contra a Intolerância Religiosa

  • 29/10 – Casa Oxum Taladê
    18h – As religiões como parceiras no enfrentamento à epidemia do HIV
    19h – No Terreiro Também se Aprende: Saberes Ancestrais da Educação – Núcleo de Educação Étnico-Racial
    20h – Coleção Batuque | Objetos sagrados aprisionados na Alemanha
    Exposição da biblioteca Vó Donga – Coletivo Meninas d’Oyá

  • 30/10 – Largo Barbosa Coelho
    18h – DJ MDbeats
    19h – Capoeira Mestre Saci | Associação de Capoeira Zumbi dos Palmares
    20h – Grupo Kimbra
    21h – Projeto Samba do Terreiro
    Exposição: Associação Casa de Artesanato dos Povos de Matriz Africana

  • 31/10 – Encerramento
    C.C Caboclas Jurema Guarani e Mata e Três Estrelas da Marola – Rua Hermínio de Moraes, 123 – Bernadeth
    20h – 2ª Roda de conversa sobre Patrimônio Material e Imaterial | Projeto Memórias do Terreiro
    21h – Xirê aos Orixás (Celebração Afroreligiosa)

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