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Fatos e Coisas – Imagens antigas de Rio Grande

Colunista Ronaldo Morgado Segundo

ESTAÇÃO JUNÇÃO

A estação da Junção foi inaugurada em 1884. (Fotos Arquivo Ronaldo Morgado Segundo).

 

A estação da Junção foi inaugurada em 1884. Dali saía o ramal do Cassino, ligando à Vila Siqueira, balneário antigo. No início dos anos 1980 uma variante tirou a linha da cidade e da estação.

“Hoje conversei com o sr. Roberto Gomes, morador da estação ferroviária da Junção. Ele é um ex-ferroviário e trabalhava em equipe de conserto de vagões, máquinas, etc. O sr Roberto é uma pessoa humilde e parece sentir muitas saudades do tempo em que trabalhava nas ferrovias. A estação, hoje muito descaracterizada, teve algumas portas e janelas trocadas. O forro foi rebaixado mas ele me disse que o original continua no mesmo lugar. Difícil tirar uma foto boa, pois ao redor do prédio há outras construções desalinhadas. Então ele foi me dizendo o que era original e fui fazendo fotos, dos detalhes. Também a cor das paredes foi modificada. Os trilhos foram arrancados. Mora na estação com sua família há mais de vinte anos. Ele disse que quando foi morar na estação teve que assinar um compromisso de manutenção, o que não está podendo cumprir muito bem, porque os cupins tomam conta e ele tem que reformar as partes danificadas a seu modo. Às paredes são de alvenaria. Ele me emprestou algumas fotos com sua equipe de trabalho, para copiar. Também me disse que a estação tinha plataforma dos dois lados: de um lado passavam os trens que iam para Pelotas e de outro, o que ia para o Cassino. O prédio tem um andar, com cobertura sobre a plataforma.” (Marília Almeida, Rio Grande, RS, em 05/2004) A estação está hoje na linha desativada, ou ao lado de seu antigo leito, para a antiga estação de Rio Grande, junto ao porto velho. (Fontes: Guias Levi, 1940-1981; Revista Refesa, maio-jun 1968; Patrimônio Ferroviário do Rio Grande do Sul, IPHAE, 2002).

CENTRO PHILATÉLICO DO RIO GRANDE E A VARIG

O selo destaca o primeiro avião comercial a atuar no Brasil.

Centro Philatélico do Rio Grande fundado em 1931 lançou  belíssima Folha Comemorativa que demarcou eventos ligados a fundação da Varig em 7 de maio de 1927.

Em destaque como um dos pioneiros da aviação comercial no Brasil está o comerciante, que atuou em Rio Grande, o Sr. Carlos Albrecht Júnior.

O selo destaca o primeiro avião comercial a atuar no Brasil: o hidro avião Atlântico que inaugurou a Linha da Lagoa (Rio Grande-Pelotas-Porto Alegre).

CARTÃO DO CASSINO (1909)

A fotografia mostra à beira-mar do balneário Cassino (chamado de Villa Sequeira) com as casinhas de aluguel para troca de roupa pelos banhistas.

Este cartão-postal que estava à venda num leilão no ano de 2022 é muito especial. Feliz de quem o adquiriu. É datado do Cassino em 1 de março de 1909 e faz parte de uma coleção editada em 1908.

A fotografia mostra à beira-mar do balneário Cassino (chamado de Villa Sequeira) com as casinhas de aluguel para troca de roupa pelos banhistas. Em 1890 estas casinhas de troca de roupa e a presença de salva-vidas, além da estrutura de um balneário planificado para o banho de mar medicinal (ferrovia, restaurante, hotel, casas de aluguel, espaço para bailes e apresentações artísticas, comércio de venda de produtos europeus para o banho de mar, casas de veraneio etc), fazia surgir o primeiro balneário pensado e planificado -a partir de 1885-, para fins específicos de veraneio e banho de mar em nível de Brasil.

Manuscrito no anverso do cartão (o verso não foi disponibilizado para identificação da cidade do destinatário) está a seguinte mensagem: “Nininha. Muito grata pelo seu atencioso cartão, envio a todos muitas saudades. Lucilia”.  “Nora com prazer, recebeu o beijo de seu noivo e pede-me que daqui lhe envie muitos”. A finalização é ótima no convite para partilhar “em pensamento” o banho de mar de Lucilia e Nora: “Vamos para o banho. Não querem acompanhar-nos?”.

A troca de cartões-postais permitia a globalização de imagens de inúmeros locais do planeta. Uma forma popular (pelo baixo custo) de conhecer imagens de outros povos, cenários geográficos, estruturas materiais, urbanidade e ruralidade etc. Especialmente, permitia manter os laços afetivos ou profissionais.

Para os historiadores, ainda mais no campo da história cultural e patrimonial, são objetos preciosos que registram momentos, por vezes, lúdicos do passado.

BROMBERG E CRISTALPALAST

fachada voltada para a Rua Marechal Floriano está a “Secção de Machinas” da Bromberg.  Foto tirada do interior da Praça Xavier Ferreira.

Fotografia obtida do interior da Praça Xavier Ferreira.

Com a fachada voltada para a Rua Marechal Floriano está a “Secção de Machinas” da Bromberg.

Ao fundo, na Rua Duque de Caxias esquina com a General Bacelar, a confeitaria e café “CristalPalast”.

Datação aproximada 1925-1930.

AVENIDA RHEINGANTZ COM 24 DE MAIO

Bonde elétrico na Avenida Rheingantz.

O bonde elétrico que circulava pela Avenida Rheingantz (observa-se a chaminé e o prédio da administração da União Fabril ao fundo) fazia uma curva acentuada para ingressar na Rua 24 de Maio. O trânsito, os prédios, a pavimentação e a espacialidade se modificaram muito desde que esta fotografia foi realizada a cerca de um século. Datação hipotética: 1920.

CHAFARIZ DAS TRÊS GRAÇAS EM 1959

Um dos patrimônios materiais de arte pública que chamava a atenção é o chafariz das Três Graças que demarca a centralidade da praça Xavier Ferreira. 

Este cartão-fotográfico do Foto-Postal Colombo faz parte de uma série de dezenas de imagens obtidas em Rio Grande no ano de 1959. A materialidade patrimonial daquele momento ficou registrada em fotos aéreas e terrestres.

Um dos patrimônios materiais de arte pública que chamava a atenção é o chafariz das Três Graças que demarca a centralidade da praça Xavier Ferreira.

Os prédios ao fundo do chafariz estão na Rua Marechal Floriano e as duas torres da Igreja do Carmo despontam entre a árvore e o prédio (CEF) na parte central do cartão.

A Coluna da Liberdade tem ao fundo a face do prédio da Alfândega pela Rua dos Andradas.

Esta imagem é um momento congelado do tempo que recua a 64 anos.

SENHORAS DA BELLE ÉPOQUE

Um dos patrimônios materiais de arte pública que chamava a atenção é o chafariz das Três Graças que demarca a centralidade da praça Xavier Ferreira. 

Detalhe de um cartão editado por R. Strauch/Livraria Rio-Grandense e datado de 1912. Esta é a rua Marechal Floriano na altura do prédio da Alfândega.

Ao analisar notícias e anúncios da imprensa do Rio Grande neste período, a cidade vivia (para segmentos mais privilegiados) uma belle époque com expectativas de avanços econômicos.

O comércio de exportação e importação mantinha um ritmo promissor e a cidade era um entreposto de produtos atuais do que havia de mais desenvolvido na tecnologia mundial (europeia e norte-americana). Um exemplo era a empresa Bromberg. O ritmo das indústrias locais as projetavam na esfera nacional como o caso da Leal Santos, Rheingantz, Poock e Ítalo-Brasileira. As expectativas da construção do Porto Novo e dos Molhes da Barra pela Companhia Francesa se efetivaram em 1915.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e as crises no comércio internacional decorrentes fez com que o cenário se torna-se diferente entre às décadas de 1920-1930.

Em 1912, frente aos inúmeros eventos sociais e atrações públicas como teatro, cinema, clubes, confeitarias etc, a imagem destas senhoras caminhando com os clássicos vestidos longos e chapéus emplumados da belle époque (roupas do ano do afundamento do Titanic) é coerente com o estágio promissor da cidade portuária mais ao sul do Brasil.

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