Esta breve nota do jornal O Intransigente de 27 de agosto de 1912 trouxe uma relevante pista para os pesquisadores de cartões-postais.
O editor Francisco Andreassi estava se estabelecendo com oficina gráfica na cidade do Rio Grande. O endereço era na Rua Marechal Floriano 102.
A cronologia do editor com trabalhos de oficina gráfica tem o referencial de 1912. Já os cartões-postais fotográficos e não colorizados com vistas da cidade do Rio Grande são assinados como Andreassi & Rios. Hipoteticamente, remetem a década de 1920.
A descoberta de novas informações possibilitará uma aproximação cronológica mais precisa deste editor e de seu sócio. Abaixo um exemplo dos cartões-postais de Andreassi & Rios.
ANSELMI & SCHMIDT
A cervejaria Schmidt já estava presente em Rio Grande desde os primórdios dos 1900.
Em 1912 estava sendo inaugurada uma nova fábrica fruto da parceria de Schmidt com o empresário Rafael Anselmi.
CONTOS GAUCHESCOS E O REGIONALISMO
O livro Contos Gauchescos de João Simões Lopes Netto fora lançado em setembro de 1912.
O jornal O Intransigente, de orientação político-ideológica no Partido Republicano Rio-Grandense, publicou no dia 24 de setembro uma matéria sobre este livro que se tornou uma referência no regionalismo rio-grandense.
Em sua narrativa Lopes Netto resgatou a cultura gaúcha e revisitou a linguagem regionalista que ajudou a definir o morador do estado mais meridional do Brasil.
O personagem Blau Nunes sintetiza a oralidade do homem da campanha e sua bagagem de experiência de vida.
A matéria de O Intransigente registrou que uma obra referencial está nascendo na literatura do Rio Grande do Sul no ano de 1912.
CENA URBANA

Na fotografia de Rubens uma das esquinas mais movimentadas da cidade: Rua General Neto (carroças) e Rua Marechal Floriano (bonde urbano).
Notem o belíssimo prédio a esquerda da fotografia, que foi derrubado para o erguimento de um prédio de estilo “caixote”, que hoje está lá.
Datação hipotética: final dos anos 1940.
CINEMA IDEAL
Em julho de 1912 o Cine Ideal estava divulgando a programação atual e os novos lançamentos. Entre eles o filme francês Os Mistérios da Ponte de Notre Dame.
O filme que foi visto pelos cinéfilos do Cinema Ideal em 1912 pode ser conhecido neste endereço do youtube: https://youtu.be/EpnlRCRrfTg
GRANIZO EM 1912
Às 18h30 do dia 16 de agosto de 1912 uma intensa chuva de granizo se abateu sobre Rio Grande.
As ruas apresentavam “um aspecto de um vasto lençol branco”. Com o granizo, vidros e telhados se partiram, a intensa chuva alagou inúmeros prédios provocando muitas perdas materiais.
O fotógrafo Ricardo Giovannini teve severos prejuízos pois, para aproveitamento da luz solar na arte fotográfica, se usa sem parcimônia a cobertura com telhado de vidro.
A fábrica de biscoitos Leal Santos sofreu danos de monta e teve de parar a produção. Somente nesta fábrica teriam se partido cerca de 4.000 vidros.
Neste período, parte do Rio Grande do Sul estava sofrendo com chuvas excessiva e a enchente de vários rios.
Estas notícias de 1912, mostram que os problemas com a severidade dos temporais não são de hoje. Não se nega que houve uma mudança climática a nível mundial, e que um futuro nada glamoroso espera nossos descendentes, mas apenas mostra o quão suscetível é nossa cidade aos problemas com as chuvas.
CAFÉ AMÉRICA
O Café América foi inaugurado em 1902. No mês de setembro de 1912 estava fechando as suas portas.
Em seu local, na Rua Marechal Floriano em frente a Praça General Telles (atual Xavier Ferreira), estava surgindo mais uma sala de projeções “de luxo” na cidade do Rio Grande: o Cinema Moderno.








