Começaram nesta semana as obras da tão falada — e finalmente real — nova penitenciária estadual de Rio Grande, que será instalada na Vila da Quinta, na zona norte da cidade. A unidade promete desafogar o sistema prisional da região e oferecer uma “estrutura moderna e segura” para abrigar os futuros hóspedes do Estado. Só não ficou claro ainda se o cardápio da casa contempla criminosos de colarinho branco ou se continua valendo o velho e conhecido critério: só entra quem não tem advogado bom.
A penitenciária terá capacidade estimada para mais de 500 detentos, com direito a celas, pátio de sol, muro alto e (espera-se) câmeras funcionando. A obra, que está sendo executada pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), promete gerar empregos durante a construção e, quem diria, também quando estiver funcionando — afinal, a clientela carcerária só cresce.
E quem vai pra lá?
A nova casa dos “arrependidos” será voltada ao regime fechado e, segundo o governo do Estado, vai priorizar o acolhimento humanizado e a segurança institucional. Palavras bonitas para dizer que agora o apenado poderá ter, quem sabe, uma cama que não afunda e um chuveiro que esquenta.
Mas fica a dúvida: vai ter ala VIP para os engravatados? A sociedade aguarda ansiosa para saber se aquele político envolvido em desvio, aquele empresário “esquecido” das obrigações tributárias, ou o figurão que lavou mais dinheiro que roupa suja também vai provar o travesseiro do sistema penitenciário gaúcho. Ou se o espaço continuará reservado, como sempre, ao “varejo” do crime.
Investimento com retorno garantido
O valor da obra gira em torno dos R$ 30 milhões, bancados com recursos estaduais e federais. É um investimento com retorno certo — infelizmente. A taxa de reincidência segue alta e o índice de criminalidade continua abastecendo o sistema como um bufê liberado: sempre tem gente nova entrando.
A penitenciária da Vila da Quinta deve ser entregue em até 18 meses, segundo cronograma oficial. Até lá, os atuais presídios da cidade, superlotados e com estrutura comprometida, seguem como estão — porque milagre ainda não foi licitado.
Fica o questionamento
Com a penitenciária novinha saindo do forno, fica no ar a pergunta que não quer calar:
Será que vai dar pra prender gente de terno também, ou vão seguir só prendendo quem não tem onde cair morto?
