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JUSTIÇA COM “J” DE JÁ VAI TARDE

Na tarde desta segunda, 10, o Tribunal do Júri de Rio Grande fez o que se espera dele uma vez a cada eclipse: condenou um réu por homicídio qualificado. S. S. A., agora futuro ex-cidadão livre, foi premiado com 12 anos de reclusão em regime fechado. Nada como um troféu de aço e concreto para quem resolveu resolver desavenças no estilo bang-bang do Velho Oeste.

O crime? Um clássico contemporâneo da barbárie cotidiana: em 2023, próximo a uma boate no Centro da cidade, o réu, num lampejo de equilíbrio emocional digno de um reality show de quinta categoria, decidiu que o melhor jeito de encerrar um desentendimento era transformando o desafeto em estatística. A vítima — que, vejam só, estava trabalhando na rua — foi surpreendida com diversos disparos. Missão dada, missão cumprida. Infelizmente.

O motivo? Fútil, diz a Justiça. Fútil, diz o bom senso. Fútil, diz até o papagaio do vizinho. Afinal, não há muito o que debater quando o gatilho é mais leve que o argumento. Como bônus, o réu ainda usou um recurso que impossibilitou qualquer tentativa de defesa da vítima — porque é claro que valentia não faz parte do currículo de quem atira pelas costas ou na calada da rotina alheia.

O júri reconheceu os requintes de covardia e garantiu a S. S. A. o privilégio de refletir, por pelo menos 12 anos, sobre os caminhos tortuosos do “resolvi matar porque quis”. E se depender da população, que anda cansada de viver entre manchetes sangrentas e a sensação de impunidade, talvez o relógio da Justiça comece a acertar mais do que por acidente.

Enquanto isso, segue a vida: uma vítima a menos, um criminoso a mais nas estatísticas carcerárias, e um recado tímido, mas claro — quem mata por nada, agora pode pagar. Ainda que tarde. E só 12 anos.

 Doze aninhos para pensar. (Foto Ilustração).

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